Captura acidental é uma das principais ameaças aos albatrozes-gigantes



O albatroz-gigante (Diomedea exulans) é uma das maiores aves voadoras do mundo, com uma envergadura de asas que poderá ir além dos três metros, uma característica fundamental para este animal que passa grande parte da sua vida em voo. É considerada uma espécie vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Por serem oportunistas e se alimentarem frequentemente junto a embarcações piscatórias, aproveitando os restos de iscos deitados ao mar, essas aves são muitas vezes capturadas acidentalmente pelas artes de pesca, fazendo com que esta espécie seja de particular importância nos esforços de conservação, particularmente da população da ilha da Geórgia do Sul, no Atlântico sul, que tem vindo a sofrer grandes perdas desde a década de 1970.

Albatrozes-gigantes numa ilha da Geórgia do Sul.
Fonte: British Antarctic Survey

Investigadores do Reino Unido e dos Estados Unidos monitorizaram 251 albatrozes-gigantes que viajaram para zonas ao largo do sul da Argentina, e perceberam que 55% aproximaram-se até 30 quilómetros de uma embarcação de pesca, sendo que 43% chegaram mesmo a estar a 5 quilómetros desses navios.

Os autores consideram que este é “um dos estudos mais abrangentes do risco de captura acidental relativamente a uma espécie de ave marinha até ao momento”, que combina a localização precisa de barcos de pesca recolhidos da plataforma Global Fishing Watch com as localizações de albatrozes-gigantes de várias idades.

“Esta análise detalhada dá-nos uma ideia muito mais precisa sobre onde estão os riscos, permitindo-nos direcionar os nossos esforços de conservação de forma muito mais eficaz”, garante Richard Phillips, do Natural Environment Research Council e um os autores do artigo publicado na revista ‘Biological Conservation’.

Apesar de reconhecerem que as capturas acidentais de albatrozes-gigantes por operações locais ao largo da ilha da Geórgia do Sul terem já sido reduzidos para “níveis negligenciáveis”, os cientistas destacam, contudo, “a necessidade urgente” de se implementarem medidas para reduzir a mortalidade dessa espécie devido às operações pesqueiras de embarcações que navegam nessa área sob as bandeiras de Portugal, da Coreia do Sul, do Reino Unido, do Chile, do Brasil e de Taiwan.

“A captura acidental é um risco para muitas aves marinhas”, alertam os investigadores, mas os albatrozes, como se alimentam de forma oportunista, “estão particularmente em risco”. Os iscos e as capturas descartadas no mar são muito procurados por essas aves, que, devido à proximidade com as embarcações, ficam muitas vezes presos em anzóis ou acabam por ficar enredados em cabos.

“Estas interações são a principal ameaça para a maioria das espécies de albatrozes”, sendo que se estima que 100 mil albatrozes sejam mortos todos os anos por artefactos de pesca, como os espinéis.

Para tentar reduzir o número de fatalidades, têm sido implementadas algumas medidas por parte das empresas pesqueiras, como a colocação de pesos nas linhas para fazer com que os iscos afundem rapidamente e deixem de ficar ao alcance dos albatrozes, o lançamento de redes durante a noite quando muitas espécies estão menos ativas e o uso de fitas coloridas nos equipamentos que afugentem as aves.

Ainda assim, os especialistas admitem que os albatrozes podem percorrer mais de mil quilómetros todos os dias em busca de alimento, pelo que é muito provável que acabem por encontrar e aproximar-se de embarcações que não usem essas medidas de mitigação.

Ana Carneiro, cientista da BirdLife Internacional e outra das autoras do artigo, afirma que “sabemos que as mortes e ferimentos de aves marinhas nas pescarias podem ser evitadas usando técnicas simples mais altamente eficazes”. Mas assinala que “o problema é que não há fiscalização do cumprimento dessas medidas em muitas pescarias”, pelo que as ameaças aos albatrozes-gigantes, bem como a tantas outras aves e demais animais marinhos, persistem.

Segundo a BirdLife Internacional, 15 das 22 espécies de albatrozes estão ameaçadas de extinção, especialmente devido à poluição dos oceanos por plástico.



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