Catástrofes agravadas pela crise climática preocupam portugueses mais do que migração descontrolada. Mas mitigação não é grande prioridade

Sondagem Eurobarómetro revela que portugueses estão muito preocupados com esse tipo de fenómenos, mas combater as alterações climáticas não está no topo da lista de prioridades.

Filipe Pimentel Rações

As catástrofes naturais agravadas pelas alterações climáticas estão entre as ameaças à segurança que mais preocupam os portugueses, de acordo com o mais recente Eurobarómetro.

Na sondagem publicada este mês de fevereiro, 91% dos 1.037 portugueses inquiridos dizem estar muito preocupados com esse tipo de fenómenos, mais até do que com a migração descontrolada (88%), mais do que do que o terrorismo (74%) e do que guerras às portas da UE (71%), e bem mais do que ciberataques lançados por países de fora da União Europeia (65%).

A preocupação dos portugueses com os desastres naturais intensificados pelas alterações climáticas destaca-se da média europeia de 66%. E não é motivada pelas tempestades devastadoras que assolaram o país na última semana e meia, pois a sondagem do Eurobarómetro foi realizada entre 7 e 26 de novembro de 2025.

Contudo, isso contrasta com a prioridade que os portugueses atribuem à mitigação das alterações climáticas. Por exemplo, quando questionados sobre quais as três principais questões sobre as quais a UE deveria focar-se para reforçar a sua posição no mundo, o tópico “competitividade, económica e indústria” surge no topo da lista, com 46%, seguido pela “defesa e segurança” (33%) e “independência energética, recursos e infraestruturas” (31%).

O tópico “alterações climáticas e redução das emissões” surge em sétimo lugar numa lista de 14, com 22%.

De modo semelhante, os tópicos “saúde pública” (68%), “inflação, aumento dos preços e custo de vida” (58%), “economia e criação de emprego” (45%) e “pobreza e exclusão social” (41%) são considerados pelos portugueses como prioridades para o Parlamento Europeu.

O “meio ambiente e alterações climáticas” voltam a surgir em sétimo lugar, desta feita numa lista de 15, com 16% dos portugueses inquiridos a dizerem que deve ser uma das prioridades dos eurodeputados. Fica também atrás das questões “defesa e segurança da UE” (22%) e “agricultura e segurança alimentar” (17%) e ao mesmo nível de “autonomia da UE nos domínios da indústria e da energia” (16%).

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.