Cidadãos vão pagar pelos resíduos que consomem e terão quotas de CO2 individuais

Na Suíça, os moradores de um determinado prédio têm uma espécie de cartão multibanco que devem utilizar sempre que pretendem colocar os resíduos na reciclagem. Esse lixo é pesado e, consoante este valor, eles vão pagar mais – ou menos! – no final do mês.

Este exemplo foi mencionado por Afonso Lobato Faria, presidente da Águas de Portugal, para demonstrar o futuro dos resíduos. O responsável da Águas de Portugal falava durante a primeira conferência GPA do ano, dedicada à Inovação e Sustentabilidade nas Cidades do Futuro.

“A pessoas que vão começar a pagar pelos seus resíduos, pelo que consomem. E isto não acontece hoje. Em Portugal, pagamos consoante a água que consumimos”, explicou Afonso Lobato Faria, que justificava a forma como as cidades estão a mudar – e como, dentro de poucos anos, elas poderão ficar irreconhecíveis – para melhor –, bastando para isso que os investimentos certos sejam feitos.

Quotas de CO2 individuais?

Um exemplo de possível evolução, agora ao nível da mudança das mentalidades, já ocorre em alguns países: há concursos de sustentabilidade entre famílias, um jogo que leva cada família a monitorizar a quantidade de água que consome e, quem o fizer em menor quantidade, ganha um prémio. Afonso Lobato Faria alerta ainda que as alterações climáticas são importantes nesta equação, e Portugal é um dos países afectados: “Tivemos duas secas extremos na última década, e a gestão de água tem de ser mais resiliente”, concluiu.

No debate, o administrador-delegado da Dalkia, José Melo Bandeira, explicou que Portugal tem feito um excelente trabalho, nos últimos anos, no sentido de dotar as suas cidades de características sustentáveis. “Temos hoje sistemas de resíduos, em Portugal, que já levam praticamente zero para aterro”, avaliou.

Melo Bandeira atirou, depois, alguns dados para cima da mesa. Em 2025, a quantidade de resíduos vai duplicar em todo o mundo. “É uma oportunidade, ainda que a nossa luta será sempre tentar evitar a sua produção”. Por outro lado, por dia, o número de área urbana aumenta em cerca de 100 quilómetros quadrados.

Por tudo isto, o gestor da Dalkia deixa uma dica um pouco futurista. “Sabem as quotas de CO2 para as empresas? Elas serão substituídas por quotas de CO2 individuais. Quando acordamos, de manhã, vamos ter de escolher entre ir de carro para o trabalho ou tomar banho”, frisou Melo Bandeira, meio a brincar (mas muito a sério). E o leitor, acha que chegaremos aqui?

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