Cientistas descobrem que camas dos orangotangos são obras de engenharia

Ao contrário dos seus primos chimpanzés e gorilas, os orangotangos têm esquemas elaborados para fabricar as suas camas, que duram mais tempo e permanecem nas árvores da floresta tropical após os seus proprietários terem seguido viagem para outro local.

De acordo com um estudo desenvolvido por cientistas britânicos, e publicado esta semana no Proceedings of the National Academy of Science, estaremos mesmo perante verdadeiras obras de engenharia.

Segundo a equipa de Roland Ennos, da Universidade de Manchester, os orangotangos da floreta tropical indonésia utilizam os galhos das árvores na construção das camas. Este é um processo inato, cujo desempenho melhora quando os jovens têm a oportunidade de observar um adulto a fazê-lo.

Os ninhos são normalmente feitos nas árvores, onde o sono é mais relaxado e há uma protecção acrescida contra predadores e insectos parasitas. Os orangotangos evitam construir os ninhos em árvores de fruto, para não serem incomodados pelos bichos que se alimentam destes frutos, e dedicam algum tempo a escolher a árvore certa para passarem a noite.

“Assim que deixam de mamar, todos os grandes símios constroem ninhos quase diariamente”, explica o artigo.

Assim, todos os dias eles sobem a árvores com alturas entre os 11 e os 20 metros e, 15 minutos depois, têm a sua cama feita. “Vimos orangotangos a construir ninhos seguros e confortáveis dobrando, mas não partindo totalmente, ramos grossos que entrelaçavam e a torcer e arrancar ramos mais pequenos para fazer uma espécie de colchão”, explicou Roland Ennos num comunicado citado aqui pelo Público. “Parece que aprenderam sobre as propriedades mecânicas da madeira e usam este conhecimento de forma hábil.”

Os cientistas mediram os ninhos enquanto ainda estavam intactos e observaram as suas formas. São ovais, côncavos e têm, em média, um metro de comprimento e 80 centímetros de largura. A equipa descobriu que, por exemplo, uma fêmea de 38,5 quilos, em média, dormiria uma noite confortável e segura, graças às escolhas criteriosas durante a construção do ninho.

“Os orangotangos escolhem ramos fortes e rígidos para as partes do ninho que suportam o peso, e ramos mais fracos e flexíveis para o revestimento – o que sugere que a escolha dos ramos para diferentes partes do ninho é baseada no diâmetro e na rigidez dos ramos”, explica Ennos. Além disso, a forma como os orangotangos partem os ramos depende também da sua finalidade. Os maiores ficam meio partidos e continuam agarrados às árvores, enquanto os mais pequenos são completamente arrancados.

Os resultados destas escolhas e a forma como os ramos são entrelaçados na estrutura do ninho resulta num centro que é mais flexível e numa região lateral mais rígida. Ou seja, eles dormem numa cama que é simultaneamente confortável e segura. “Isto demonstra que têm algum conhecimento de engenharia”, diz Ennos.

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