Um grupo de investigadores do Instituto Pasteur, em Paris, decifrou pela primeira vez um dos mecanismos fundamentais utilizados pela bactéria responsável pela legionella para se espalhar pelo organismo humano.
Como explica a reportagem publicado hoje no jornal El Mundo, “a Legionella pneumophila, o agente patogénico que causa a infecção, ataca as células que causam fragmentação nas mitocondrias – responsável pela respiração celular – que modifica seu metabolismo, altera a produção de energia e cria um ambiente favorável para se reproduzir”.
O trabalho publicado em destaque pela revista “Host & Microbe”, abre uma nova perspectiva no desenvolvimento de terapias contra doenças infecciosas, particularmente aquelas que causam alterações metabólicas causadas por bactérias patogénicas. A descoberta também sugere que as estratégias destinadas a prevenir o dano mitocondrial podem ser as mais eficazes na luta contra infecções causadas por Legionella.
“Produzimos antibióticos há 70 anos e o problema é que estamos desenvolver resistência a estes antibióticos”, explica ao jornal Pedro Escoll, investigador espanhol do Instituto Pasteur e principal autor deste estudo liderado por Carmen Buchrieser. “É interessante apresentar uma mudança de estratégia e visar mais a protecção de células no sistema imunológico”. A pesquisa detalha como as bactérias são capazes de transformar funções mitocondriais e usá-las para seu benefício. Este processo lembra o comportamento de algumas células tumorais, o que levou os autores a sugerirem que poderia haver um paralelismo entre ambos os processos.
Recorde-se que houve em Portugal um surto de Legionella em Novembro de 2014, que infectou 375 pessoas, provocando a morte a 12.
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