Cientistas ligam furacões e ciclones à limpeza do ar e combate à poluição

A limpeza da poluição atmosférica provocada pelas fábricas norte-americanas e europeias poderá ter ajudado a causar mais furacões, ciclones e outros desastres naturais, nos Estados Unidos, nos últimos anos, de acordo com um estudo do Met Office.

Segundo os cientistas deste instituto britânico, há uma ligação entre a poluição nos oceanos – e os esforços para removê-la – e eventos como as secas no centro de norte africano e os ciclones que, todos os anos, devastam os Estados Unidos.

Esta é a primeira vez que cientistas ligam directamente as flutuações de temperatura dos oceanos aos desastres naturais. “Até agora, ninguém conseguiu demostrar que existe uma ligação física entre o que está a causar estas flutuações no Oceano Atlântico, por isso assumimos que era causado por uma vulnerabilidade natural”, explicou o autor da pesquisa e cientista do Met Office, Ben Booth.

“A nossa pesquisa diz que, mais do que naturais, estas mudanças podem ter sido provocadas por poluição e pelos vulcões. Isto significa que os desastres naturais estarão ligados a estas flutuações no oceano. Estamos a falar da seca persistente, em África, nos anos 70 e 80, que poderão não ter tido causas naturais”, continuou o responsável, citado pelo Financial Times.

Por outras palavras: quando a poluição atingiu o seu pico no Atlântico, este efeito foi preponderante para arrefecer o respectivo oceano. À medida que esta poluição foi sendo limpa – sobretudo depois do Clean-Air Act, lei norte-americana – os mares ficaram mais quentes. Ou seja, combater a poluição acabou por reduzir os níveis de seca em África, mas acelerou os ciclones perigosos nos Estados Unidos e restante América do Norte.

O estudo, que pretendeu perceber as implicações das alterações climáticas para a indústria, teve como ponto de partida a flutuação das temperaturas do Oceano Atlântico, nas última décadas, e a sua relação com a actividade dos ciclones, na América do Norte – como o Catarina, na foto -, e da seca em África.

Deixar uma resposta

Patrocinadores