Como a “cidade mais miserável da Rússia” poderá ressurgir devido à má publicidade (com FOTOS)

Do tecto para a parede

A cidade de Teriberka, na costa do mar de Barents, tem a indesejada reputação de ser o local mais miserável da Rússia. É um lugar remoto, gelado, com edifícios em ruínas, cheio de alcoólicos e pessoas deprimidas. Pelo menos é essa a visão do filme Leviathan, de 2014 e que foi aclamado no ocidente – mas não, por razões óbvias, na Rússia.

E é com essa reputação que a presidente da câmara, Tatyana Trubilina, quer acabar. Ao New York Times, ela garante que nem todos os 1.000 habitantes da cidade são alcoólicos, nem todos estão deprimidos e que ninguém, pelo menos recentemente, cometeu suicídio.

Segundo Tatyana, Teriberka é “um paraíso puro” no meio do Ártico, com frutos silvestres, peixes frescos e uma grande quantidade de neve. Nada como o filme, que ganhou um Globo de Ouro e esteve nos nomeados dos Óscares, quer fazer crer.

“Não consigo perceber por que razão alguém fez um filme tão desonesto”, explicou Trubilina. “É uma versão inventada de uma realidade que não existe”. No entanto, desde que o filme começou a ganhar prémios, Teriberka atraiu uma longa fila de turistas. Muitos esperam ver a cidade retratada no filme; outros, porém, são entusiastas do cenário deslumbrante encontrado na película.

Hoje, dois novos hotéis estão a ser construídos e irão em breve abrir. Um terceiro – uma antiga fábrica de peixe remodelada – já oferece vários quartos confortáveis. “As pessoas querem coisas exóticas e nós estamos no fim do mundo”, explicou Olga Nikolayeva, responsável pela renovada Casa da Cultura. “Para mim, toda a publicidade é boa publicidade”.

Quando a União Soviética colapsou, Teriberka tinha 10.000 pessoas, dez vezes o número de hoje. Mas devido à proximidade de instalações militares sensíveis, a cidade estava fechada a visitantes e só podia ser acedida por barco. Desde então foi construída uma estrada até Murmansk e os pontos de controlo do KGB desapareceram.

Há quem acredite que Teriberka vai desaparecer nos próximos anos. “Este local vai deixar de existir dentro de 20 anos”, explicou ao New York Times Ivan Koshpetruk, gestor da fábrica de peixe. No entanto, o filme que retrata a cidade como um antro de solidão e depressão poderá levar, ironicamente, Teriberka a ressurgir através do turismo. Quem diria?

Foto: Ninara / Konstantin Zamkov / Creative Commons

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