Como a gestora do espaço aéreo britânico está a revolucionar a sustentabilidade da indústria da aviação

Dois por cento do total de emissões com gases com efeito de estufa provêm da indústria aérea, mas este número subirá nos próximos anos, devido ao aumento dos vôos previstos e descarbonização dos restantes sectores da economia.

Na verdade, e apesar de há muito se saber que a indústria da aviação é dos maiores contribuidores para as alterações climáticas, pouco se tem feito para mudar a situação. Um exemplo: as companhias aéreas da União Europeia representam um terço do total de emissões globais da aviação, mas este número duplicou desde 1990 e deverá triplicar em 2050, se nada for alterado.

No entanto, há uma entidade está a trabalhar para mudar esta situação: a NATS, responsável pelo espaço aéreo britânico. Hoje, cerca de 2,2 milhões de vôos passam todos os anos pelo espaço aéreo britânico, sendo responsáveis por 23 milhões de toneladas de emissões de CO2 – o equivalente às emissões anuais de seis centrais a carvão.

Em 2008, segundo o Business Green, a NATS lançou um programa para providenciar mais ligações directas, que acabam por usar menos combustíveis e reduzir em 4,3% as emissões de CO2 por ano. Uma melhoria no sistema de ligações aéreas poderia levar ainda à poupança de €150 milhões (R$ 450 milhões) em combustíveis, tendo em conta os dados de 2006.

São boas notícias para as companhias aéreas mas também para a NATS, a única empresa do seu sector que tem um bónus financeiro ligado à performance ambiental – e uma multa, caso não a consiga atingir.

Nos últimos seis anos, a NATS fez mais de 300 alterações aos procedimentos aeroespaciais, para melhorar a eficiência dos vôos e reduzir a utilização dos combustíveis. Uma delas foi remover barreiras espaciais a alguns vôos, que puderam assim assumir um trajecto mais directo para os seus destinos. Esta medida obrigou a uma negociação com os militares. A NATS tem também ajudado os pilotos a pouparem combustível durante as viagens, recorrendo ainda a tecnologia para permitir que o próprio avião suba a maiores altitudes e possa tirar vantagem dos ventos altos.

No futuro, a NATS quer aumentar todas estas poupanças – financeiras e ambientais – em 10%, através do redesenho, para já, do espaço aéreo de Manchester e do sudeste britânico. O objectivo passa por permitir que os aviões voem mais juntos, sem comprometer a segurança. Numa segunda fase, também o espaço aéreo de Londres, um dos mais ocupados do mundo, será redesenhado.

Foto: Asparukh Akanayev / Creative Commons

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