Como a inovação está a reduzir o impacto ambiental do setor logístico

A sustentabilidade não é uma tendência, mas sim uma prioridade incontornável em todos os setores da economia. No setor do transporte expresso, esta prioridade é particularmente crítica: trata-se de uma indústria com um forte impacto ambiental, responsável por uma parte significativa das emissões globais de dióxido de carbono.

Green Savers Redação

Por Rui Nobre, Diretor-Geral Adjunto de Operações da DPD Portugal

A sustentabilidade não é uma tendência, mas sim uma prioridade incontornável em todos os setores da economia. No setor do transporte expresso, esta prioridade é particularmente crítica: trata-se de uma indústria com um forte impacto ambiental, responsável por uma parte significativa das emissões globais de dióxido de carbono. Ao mesmo tempo, é um setor vital, que assegura o abastecimento de bens e a ligação entre empresas e consumidores. Perante esta dualidade, a questão que se coloca é: como conciliar a importância estratégica da logística com a urgência em reduzir o seu impacto global? A resposta reside na inovação – aquela que desafia modelos tradicionais, repensa processos e introduz soluções capazes de reduzir emissões e tornar a logística mais eficiente.

Prova disso são as várias formas de inovação que têm permitido uma transformação profunda no setor. Hoje, falar de logística sustentável é falar de veículos elétricos, mas também de inteligência artificial, de otimização de rotas, de economia circular e de novos modelos de entrega. Mais do que digitalização ou sustentabilidade em separado, é a capacidade de inovar de forma contínua que está a transformar o setor e a reduzir a sua pegada ambiental.

A eletrificação das frotas é um dos exemplos mais visíveis desta mudança. Esta aposta tem sido acompanhada pela criação de infraestruturas próprias de carregamento, que não só reduzem custos e aumentam a autonomia, como também garantem que a transição energética não compromete a eficiência.

Mas a inovação vai muito além da eletrificação. A otimização de rotas através de sistemas inteligentes de gestão de frota tornou-se uma ferramenta indispensável. Ao prever congestionamentos, condições meteorológicas ou restrições urbanas, é possível reduzir quilómetros percorridos, poupar energia e entregar encomendas mais rapidamente. Do mesmo modo, os pontos de recolha e soluções de entrega out-of-home permitem concentrar entregas, evitando deslocações redundantes e reduzindo emissões.

Outro fator fundamental é a procura de combustíveis alternativos. Enquanto a tecnologia para camiões elétricos de longo curso não atinge a maturidade necessária, soluções como o HVO (óleo vegetal hidrotratado) permitem reduzir substancialmente as emissões face ao gasóleo convencional.

Também os materiais estão a ser repensados: a redução das embalagens, o uso de materiais reciclados e a aposta na economia circular são peças-chave para diminuir a pegada ambiental ao longo da cadeia de abastecimento.

A jornada, contudo, não está isenta de desafios: a transição energética exige investimentos elevados, a regulamentação europeia obriga a uma adaptação constante e a instabilidade geopolítica condiciona o acesso a matérias-primas. Ainda assim, a inovação é a chave para transformar obstáculos em oportunidades e tornar a logística mais sustentável, não apenas por exigência ambiental, mas também como fator de competitividade.

 

 

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.