Como os festivais de música estão a destruir os parques britânicos

A paz e biodiversidade dos parques ingleses está cada vez mais ameaçada pelos concertos, eventos e festivais de música que os transformam em banhos de lama, de acordo com o The Open Spaces Society, entidade ligada à conservação dos parque e espaços verdes do Reino Unido que acusa os autarcas de passarem por cima dos interesses dos residentes.

Entre os outros eventos que destroem os parques britânicos, segundo a associação, incluem-se corridas de carros e motas e festivais que se inspiram no Oktoberfest, que transformam os parques em “autênticas zonas de guerra”.

“Só pensam em atrair os grandes negócios e patrocínios comerciais, ao invés de [promoverem] o entretenimento em paz”, explicou a secretária-geral da associação, Kate Ashbrook. “O dinheiro tem mais decibéis que a paz e a calma”.

Segundo Ashbrook, muitos dos parques britânicos foram criados na era vitoriana para satisfazer as necessidades humanas de paz e tranquilidade na densa área urbana. “Essa necessidade é maior que nunca. É claro que as autoridades locais estão sem dinheiro e têm de encontrar formas de o ganhar. Mas não o podem fazer de forma a que isso entre em colisão com o que pessoas com grande visão nos asseguraram há muitos anos”, continuou.

Muitos destes eventos, por outro lado, são ilegais devido a uma lei, datada de 1967, que avança que os parques podem ser utilizados por empresas em troca de trabalhos para o bem comum. O que não está a acontecer.

Um dos exemplos é  o parque de Platt Fields, em Manchester, em que os amigos do espaço escreveram aos responsáveis do festival de música Parklife, que aconteceu naquele local, que o espaço ficou num estado lastimável. “Todas as áreas transformaram-se em lama, com buracos e piso danificado. O cheiro de urina estava em todo o lado”, continuou a Friends of Platt Fields Park, citada pelo Mail Online.

Outras cidades inglesas, incluindo Brighton e Londres, têm sido criticadas por eventos idênticos. Em Portugal, recorde-se, a Quercus criticou a nova localização do festival Marés Vivas, que decorre entre 14 e 16 de Julho junto à reserva natural local do Estuário do Douro. Este é o sítio de maior importância para a biodiversidade da região do Grande Porto e alberga mais de uma centena de espécies de aves, grande parte delas protegidas e raridades. Ainda assim, o festival já foi confirmado naquele local.

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