Consumidores dos países emergentes estão mais dispostos a comprar marcas que suportem boas causas



Os consumidores de países emergentes como a China, Brasil, México ou Índia estão mais predispostos a comprar e promover marcas que suportem boas causas, ultrapassando os seus pares no Ocidente.

Esta foi uma das principais conclusões do estudo Edelman Good Purpose 2010, hoje apresentado no ISCTE pela GCI.

O estudo é único no seu género e avalia as atitudes dos cidadãos em torno dos propósitos sociais, incluindo o seu compromisso para com temas sociais específicos e expectativas dos consumidores face a marcas e empresas.

De acordo como estudo, realizado anualmente pela Edelman, na Índia e na China o compromisso em apoiar boas causas aumentou rápida e dramaticamente desde 2009, com a percentagem de adultos que estão pessoalmente envolvidos no apoio a boas causas a aumentar em 34 pontos percentuais na Índia, para os 81%, e 12 pontos percentuais, para os 89% na China.

Em relação ao Brasil e México, oito em cada 10 consumidores nestes países comprariam produtos de empresas que suportam boas causas, em comparação com pouco mais de metade (54%) dos consumidores das maiores economias ocidentais.

O estudo indica também que 86% dos inquiridos – 7.259 pessoas de 13 países diferentes – acreditam que as empresas devem dedicar igual peso e relevância aos interesses da sociedade e aos seus próprios interesses de negócio.

“O tema é actual, é muito pertinente. Aliás, é um tema de actualidade intemporal, a relação entre as empresas e as causas sociais”, explicou antes da apresentação do estudo o professor Eduardo Correia, do ISCTE.

Para além da nova liderança dos mercados emergentes nos temas sociais, há outras três grandes conclusões do estudo. A primeira indica a ascensão do consumidor activista; a segunda é nova a visão do ambiente e da sustentabilidade como alavanca económica e a terceira fala do propósito social como o 5º P do marketing.

Assim, quase dois terços dos respondentes globais (64%) acreditam que já não é possível que as empresas se limitem a atribuir donativos. É necessário que elas integrem boas causas no seu negócio do dia-a-dia.

Entre todos os números revelados hoje de manhã, um saltou à vista, sobretudo para os interesses das empresas: o consumidor – 62% – está disposto a trocar uma marca que não apoia uma boa causa por outra que… apoia uma boa causa.

Paralelamente, 71% dos inquiridos acreditam que as marcas e os consumidores poderiam fazer um bom trabalho em conjunto, e os mesmos 71% afirmaram que os projectos que protegem o ambiente podem ajudar a melhorar a economia.

Finalmente, um dado curioso que o estudo demonstra: a China está a liderar, globalmente, as boas causas. Isto quer dizer que os consumidores chineses têm mais hipóteses de comprar marcas que apoiem boas causas que outros.

O Good Purpose foi apresentado no ISCTE por Pedro Pires, strategic planner da GCI, e motivou um debate moderado por Margarida Pinto Correia, administradora-executiva da Fundação do Gil.

Participaram no debate Eduardo Correia, professor do ISCTE, Isabel Borgas, directora de comunicação da Sonaecom, Isabel Jonet, directora da Entrajuda, Luís Rocharte, secretário-geral da BSCD Portugal, Luís Segadães, presidente da New 7 Wonders Portugal, Odete Patrício, directora-geral de Serralves, Rui Camarinha, engagement contents director da GCI, Rui Miguel Nabeiro, administrador da Delta Cafés, Suzana Ferreira, directora de comunicação e marca da Caixa Geral de Depósitos e Tiago Forjaz, fundador da rede star tracker.

Ao longo desta tarde iremos continuar a publicar alguns dos temas abordados neste debate – e que, de resto, estão directamente relacionados com as principais conclusões do estudo.

Quer conhecer mais resultados do Good Purpose? Consulte o estudo na sua versão em inglês.



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