Crias de baleia-franca-austral ‘roubam’ leite de outras progenitoras



Ao largo da costa australiana, algumas crias de baleia-franca-austral (Eubalaena australis) estão a mamar em fêmeas que não são as suas mães biológicas.

O comportamento foi documentado por dois investigadores que, num artigo divulgado na revista ‘Mammalian Biology’, explicam que é pouco conhecimento entre as baleias, embora aconteça com alguma frequência em espécies de ungulados selvagens, como veados, renas e girafas, e em mamíferos marinhos, como focas.

Baleia-franca-austral a amamentar a sua cria biológica.
Foto: Sprogis Christiansen (2024)

Através de imagens recolhidas por drones, a dupla observou algumas crias a mamarem em fêmeas lactantes que não eram as suas mães biológicas, mas essas fêmeas, na maioria das vezes, tentavam afastar-se da cria, que não era a sua, como se tentassem fugir destes ‘ladrões de leite’.

Obter leite de outras progenitoras, que os cientistas designam, em inglês, por ‘allosuckling’, pode conferir à cria algumas vantagens sobre as demais, uma vez que acabam por ingerir mais leite, e crescer mais, do que as que apenas mamam numa progenitora. No entanto, para a fêmea que não é a progenitora pode ser prejudicial, pois a quantidade de leite que terá para a sua própria cria será reduzida.

Nestas imagens capturadas por drones, uma cria (1) é vista a deixar a sua progenitora para mamar noutra progenitora (3).
Foto: Sprogis & Christiansen (2024)

Além disso, durante o período de amamentação, as fêmeas não repõem as suas reservas de gordura, sendo que algumas chegam mesmo a perder 25% do seu peso enquanto estão nos locais de reprodução. Isso significa que o seu leite é finito, e se for ‘roubado’ por outras crias, a sua pode correr o risco de subnutrição.

Só quando as crias deixam de depender do seu leite, é que as fêmeas, e o restante grupo, regressam aos locais de alimentação, onde podem recuperar o peso perdido.

Os investigadores argumentam que é importante perceber de que forma esse comportamento de algumas crias pode afetar as populações de baleias-francas-austrais, uma espécie ameaçada que é protegida pela lei australiana, uma vez que pode afetar a ligação entre progenitoras e as suas crias biológicas.

Embora ainda não seja certa, é possível que o mesmo comportamento aconteça noutras espécies de baleias de barbas, como as baleias-francas-do-atlântico-norte (Eubalaena glacialis).





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