Cura para a Ébola poderá ter sido encontrada



Dois médicos norte-americanos que trabalhavam em missões no continente africano e que ficaram infectados com o vírus da Ébola terão sido salvos com um “tratamento miraculoso”. Esta “arma secreta” nunca tinha sido testada em seres humanos, apenas em macacos. Contudo, a Food and Drugs Administration (FDA), entidade reguladora norte-americana, terá aberto uma excepção ao abrigo de uma norma que autoriza a utilização de medicamentos não testados.

A CNN e a Atlantic relatam a história. Kent Brantly é médico e viu já centenas de pessoas a morrer com o vírus da Ébola. Como tal, houve uma presciência fria no seu diagnóstico feito na última semana: “Eu vou morrer”.

A condição deste médico norte-americano era grave e o seu destino mais provável teria sido a morte, tal como aconteceu a centenas de africanos. Contudo, no último sábado, as televisões norte-americanas mostraram o regresso de Brantly a Nova Iorque, para que pudesse receber uma melhor assistência. O que se viu foi o médico a regressar a solo norte-americano e a andar apenas com uma ajuda mínima, desde a ambulância até à unidade de isolação no Emory University Hospital.

“Um dos médicos disse que era um milagre”, afirmou Sanjay Gupta, que é médico no hospital de Emory e correspondente especial da CNN para assuntos médicos. “Não é um termo que os médicos gostem de utilizar levianamente”, frisou, cita a Atlantic.

Uma vez que a Ébola é uma doença sem cura e fatal em 90% dos casos, o caso de Kent Brantley é intrigante. Na reportagem para a CNN, Sanjay Gupta indicou que terá sido um soro secreto que salvou Brantley e Nancy Writebol, a outra médica norte-americana infectada com o vírus.

De acordo com o relato de Gupta, três frascos de um soro secreto experimental, armazenados a temperaturas negativas, foram enviados para a Libéria, onde estavam os médicos, na última semana, numa última tentativa de os salvar.

Brantly estava a trabalhar para a organização cristã de ajuda humanitária Samaritan’s Purse como director médico do Ebola Consolidation Case Management Center em Monrovia, Libéria. O grupo já confirmou que o médico recebeu o tratamento secreto antes de deixar o país e regressar aos Estados Unidos.

Brantly está quase recuperado graças ao tratamento secreto. Já a recuperação de Nancy Writebol não foi tão espantosa, mas a suficiente para também poder ser transportada para os Estados Unidos.

O soro secreto

O soro secreto utilizado é conhecido por zMapp e é produzido pela Mapp Biopharmaceutical. Contudo, o medicamento ainda não havia sido testado em humanos, apenas em macacos, e como tal ainda não tinha sido aprovado pela FDA. No entanto, ao abrigo de uma norma que possibilita a utilização de medicamentos não testados em humanos apenas em situações excepcionais, o medicamento pode ser administrado aos dois médicos infectados com o vírus da Ébola.

O medicamento secreto trata-se de um anticorpo monoclonal. A administração deste tipo de anticorpos está a tornar-se cada vez mais comum e o tempo tem demonstrado que é uma solução eficaz. Este tipo de anticorpos é produzido da seguinte forma: cobaias são expostas a um vírus e o seu sistema imunitário desenvolve anticorpos específicos contra o vírus. Posteriormente, os linfócitos são isolados em laboratório e multiplicados em culturas celulares. No caso do zMapp foram separadas três linhas celulares que produziram anticorpos específicos eficazes contra a Ébola. Os anticorpos foram depois adicionados a uma solução. De acordo com a farmacêutica que desenvolveu o medicamento, é possível produzir estes anticorpos em plantas de tabaco, o que acelera o processo o processo de produção, já que as culturas celulares são mais lentas.

Apesar de a aplicação do zMapp ter sido um sucesso, ainda pouco se sabe sobre o seu efeito nos humanos. Nos testes realizados com animais, a Mapp Biopharmaceutical administrou o medicamento a oito macacos com o vírus da Ébola que sobreviveram. Todos receberam o medicamento até 48 horas depois de terem sido infectados. Um macaco que foi tratado com o soro depois das 48 horas não sobreviveu. Tal significa que pouco se sabe sobre a segurança e eficácia deste tratamento – e que fora circunstâncias extremas como esta, a FDA não teria permitido a sua aplicação. Gupta suspeita que a FDA autorizou o uso do zMapp ao abrigo da isenção de uso compassivo.

O actual surto do vírus da Ébola é o maior na história da doença, tanto em termos do número de infectados como de mortes provocadas – cerca de 729 desde o final de 2013.

Foto: EU Humanitarian Aid and Civil Protection / Creative Commons





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