Danças revelam que catatuas são capazes de “emoções positivas”

Investigadores descobrem que esse comportamento é mais comum do que se pensava e sugere que essas aves têm “processos cognitivos e emocionais bem desenvolvidos”.

Filipe Pimentel Rações

Conhecidas pelas suas cristas emplumadas e pelas suas vocalizações estridentes, as catatuas, como outros elementos da família dos psitacídeos, muitas vezes parecem dançar quando ouvem música.

Uma investigação liderada pela Universidade Charles Sturt, na Austrália, revela que esse comportamento é mais comum entre os Cacatuidae do que se pensava. A equipa, que publicou as descobertas na revista ‘PLOS One’, analisou 45 vídeos no YouTube de catatuas a dançar e estudou também as aves do parque zoológico da cidade australiana de Wagga Wagga, no estado da Nova Gales do Sul.

Das 21 espécies examinadas, 10 exibiram o comportamento de dança, com combinações intricadas de movimentos.

“A minha análise indica que a dança é muito mais complexa e variada do que se pensava, registando, em múltiplas aves, 30 movimentos diferentes e uns adicionais 17 movimentos que foram só vistos numa das aves”, explica, em comunicado, Natasha Lubke, primeira autora do estudo.

A investigadora diz que o facto de esse comportamento ter sido registado em catatuas mantidas como animais de estimação e nas que vivem em zoos sugere que a dança é “intrinsecamente gratificante e/ou aprazível”. Ou seja, os dados parecem indicar que as catatuas dançam porque realmente gostam de fazê-lo.

Além de suportar a ideia de que as aves são capazes de “emoções positivas” e de o comportamento de dança poder ser usado como um “excelente modelo” para estudar as emoções nos psitacídeos, Lubke argumenta que tocar música para as catatuas pode ser uma boa forma de “enriquecer as suas vidas em cativeiro, com efeitos positivos no seu bem-estar”.

Os dados apontam para “processos cognitivos e emocionais bem desenvolvidos” nos psitacídeos, diz Rafael Freire, um dos principais coautores do artigo, acrescentando que investigações futuras deverão tentar perceber se a música pode realmente ser uma forma de enriquecimento ambiental.

O enriquecimento ambiental é uma abordagem usada em parques zoológicos para tentar estimular os comportamentos naturais dos animais mantidos em cativeiro, de forma a aumentar o seu bem-estar fora dos seus habitats.

Os psitacídeos, das catatuas aos papagaios, passando pelas araras e pelos periquitos, são aves que tendem a viver durante muito tempo e a exigir um cuidado especializado, pelo que os investigadores dizem que, apesar de serem animais de estimação populares, é preciso perceber, antes de os adquirir, se se é capaz de responder às suas “necessidades complexas”.

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