Descobertas duas novas espécies raras de ratos semi-aquáticos

Em 1927, há de 93 anos atrás, foi encontrado um rato semi-aquático na Etiópia com grandes patas e pêlo adaptado à água, ao algo único para a época. A espécie, nomeada Nilopegamys, foi a única encontrada até à atualidade.

Agora, um novo estudo publicado no Zoological Journal of the Linnean Society revela a descoberta de duas novas espécies de ratos do género Colomys, na República Democrática do Congo e na parte Ocidental do Continente Africano, que são parentes diretos do Nilopegamys. Foram-lhes dadas os nomes Colomys lumumbai e Colomys wologizi, em homenagem, respectivamente, ao líder da independência do Congo Patrice Lumumba e às montanhas Wologizi da Libéria, país da África Ocidental.

Julian Kerbis Peterhans, um dos autores do artigo, afirma “Eles têm sido tão esquivos por tanto tempo que são alguns dos animais mais raros do mundo, por isso é emocionante finalmente descobrir a sua árvore genealógica.”

Os Colomys “têm pés longos, como um canguru”, “sentam-se sobre as ancas e percorrem riachos rasos com os bigodes na superfície da água, detectando movimentos” e “têm cérebros excepcionalmente grandes para processar essas informações sensoriais” explica Julian. “Quando encontrei o meu primeiro, há cerca de 30 anos, era o mais lindo camundongo africano que já vi, tinha pelo repelente de água, muito espesso, exuberante, quente e aconchegante. Eles são incrivelmente macios e têm uma barriga branca como a neve.”

Estas investigações são essenciais para a ciência e para o conhecimento das espécies e da biodiversidade das florestas africanas. “Existem vastas áreas da Bacia do Congo que mal foram exploradas nos últimos setenta anos, locais de difícil acesso devido à instabilidade política. Nem  temos a certeza de como esses animais estão distribuídos, existem grandes lacunas”, afirma Terry Demos, um dos autores do estudo.

Tom Giarla, autor principal do artigo, refere que o próprio estudo também pode ser uma ajuda para doenças zoonóticas como a COVID. “A COVID é uma doença zoonótica, e a investigação da biodiversidade é essencial para entender as doenças zoonóticas. Precisamos de entender quais espécies estão presentes em áreas naturais, especialmente áreas naturais que estão a ser alteradas pelo homem.” Ao se perceber a origem dos animais e onde vivem as diferentes espécies, consegue-se saber a origem de quaisquer doenças zoonóticas que possam surgir no futuro.

 

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