Cientistas da Universidade da Austrália Ocidental descobriram rios subaquáticos ao longo da maior parte da plataforma continental da Austrália. Estes rios não existem, a esta escala, em mais nenhum local do planeta.
A descoberta foi feita utilizando planadores oceânicos. Estes planadores são veículos subaquáticos autónomos que se impulsionam através da água e coletam dados importantes sobre os nossos oceanos.
Os rios subaquáticos formam-se nos meses de inverno e estão atualmente no auge.
A Dra. Tanziha Mahjabin, que concluiu a investigação como parte da sua tese de doutorado na UWA, avançou a uma publicação especializada australiana, que o trabalho foi resultado de uma enorme quantidade de dados recolhidos utilizando o Sistema Integrado de Observação Marinha.
“Os dados duraram mais de uma década e equivalem a passar mais de 2500 dias no mar”, indicou a cientista.
“Conseguimos examinar dados de diferentes áreas da Austrália e também analisar a variabilidade sazonal”.
O professor Chari Pattiaratchi, da Oceans Graduate School e Oceans Institute da UWA, avançou à mesma publicação que, normalmente, os satélites são utilizados para identificar características da superfície, como plumas de rios, mas, como o fluxo de água fica abaixo da superfície, não foi detectado até a implantação dos planadores oceânicos.
“Esta é a descoberta mais significativa para a oceanografia costeira nas últimas décadas, não apenas na Austrália, mas em todo o mundo”, concluiu o professor Pattiaratchi.
A co-autora da UWA, Dra. Yasha Hetzel, afirmou que o arrefecimento simultâneo de águas próximas à costa em toda a Austrália devido à perda de calor nunca tinha sido documentado.
“O oceano costeiro é a bacia receptora de matéria suspensa e dissolvida, que inclui nutrientes, matéria vegetal e animal, assim como poluentes e representa um componente importante do ambiente oceânico, ligando a terra ao oceano profundo”.
Os cientistas indican que o estudo destaca a importância dos rios subaquáticos, que são um canal significativo para o transporte de poluentes e matéria vegetal e animal para o mar.
A investigação foi publicada na Nature Scientific Reports.









