Diversificar paisagens agrícolas ajuda a reduzir espécies exóticas no Cerrado brasileiro



Converter áreas de monocultura extensiva em zonas de diversidade de culturas ajuda a reduzir os prejuízos sofridos por agricultores causados por espécies invasoras de animais, como o javali.

A conclusão é de uma investigação da Universidade de São Paulo, financiada pelo Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que se debruçou sobre a região nordeste do estado paulista, onde predomina o Cerrado, um bioma por vezes descrito como ‘a savana brasileira’.

Ao analisarem a presença de mamíferos nativos e exóticos em zonas agrícolas, por um lado, e em áreas de vegetação nativa, por outro, num total de 34 mil quilómetros quadrados, os investigadores perceberam que quanto mais diversificada for a paisagem menor será a presença de espécies invasoras.

“Ainda que espécies mais sensíveis, como a onça-pintada, tenham desaparecido, uma maior complexidade da paisagem pode proporcionar mais espécies nativas, como onças-pardas e tatus, por exemplo, e menos desses invasores. Nas monoculturas com pouca vegetação nativa, por outro lado, javalis prevalecem”, explica, em comunicado, Marcella do Carmo Pônzio, primeira autora do artigo divulgado na revista ‘Journal of Applied Ecology’.

Adriano Garcia Chiarello, que também assina o trabalho, assinala que “a maior parte das propriedades da área estudada nem sequer se cumpre o Código Florestal”, recordando que a lei exige a conservação de 20% da vegetação nativa nas propriedades localizadas no Cerrado. Outros estudos indicam que são precisos, pelo menos, entre 35% e 40% de vegetação nativa para manter a biodiversidade, bem como os serviços por ela prestados.

Relativamente ao javali, considerado ‘praga’ agrícola, os investigadores dizem que a espécie foi introduzida no Brasil “para criação”, tendo proliferado desde então, e “podem ser mais detetados em áreas com pouca vegetação nativa dominadas por monoculturas agrícolas, como a cana-de-açúcar”.

Assim, a investigação conclui que “áreas agrícolas mais diversas, como pequenas propriedades focadas na agricultura familiar e produção de alimentos, ou sistemas agrossilvopastoris (plantações, silvicultura e pecuária numa mesma propriedade) podem ajudar a sustentar uma riqueza maior de espécies nativas e menor de exóticas”.





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