E se o urso-pardo voltar? Especialistas ibéricos debatem futuro transfronteiriço da espécie

A cidade de Bragança vai receber, nos dias 28 e 29 de outubro, o evento ibérico “E se o urso-pardo voltar?”. O evento tem como principal objetivo debater e antecipar aquele que poderá ser um dos grandes desafios de conservação do país, o regresso do urso-pardo (Ursus arctos) na região norte e a sua coexistência com o ser humano.

“Em debate, estarão temas como a história do urso-pardo em Portugal, ecologia e comportamento desta espécie e a sua conservação, nomeadamente no que respeita à gestão do seu habitat e à interação com as comunidades humanas. Serão ainda discutidas as questões socioeconómicas decorrentes do eventual ressurgimento do urso-pardo em Portugal, assim como o papel do planeamento e da gestão pública na conservação da espécie”, explica a Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural, em comunicado.

O evento é coorganizado pela Palombar, em conjunto com a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), o Município de Bragança (MB) e o Instituto Politécnico de Bragança (IPB), apoiado pela iniciativa “Natura 2000 Biogeographical Process” da Comissão Europeia, e irá reunir parceiros e especialistas ibéricos com grande experiência na gestão e conservação da espécie.

Embora seja direcionado para especialistas e atores locais, estando a participação sujeita a convite prévio, no dia 28 de outubro estará aberto à participação do público em geral durante as comunicações orais, com inscrição gratuita e obrigatória no site.

“Em 2019, fomos todos surpreendidos pela passagem de um urso-pardo, junto à raia nordestina de Portugal, o que, inegavelmente, captou o interesse nacional e das comunidades locais, mas também dos investigadores da área da biodiversidade. Foi, assim, confirmada a presença de urso-pardo no Parque Natural de Montesinho. (…) Certamente que, aprendendo com as experiências apresentadas no decurso deste evento, será possível estudar e delinear mais adequadamente futuros cenários de atuação para esta complexa matéria, sempre em parceria com todos os parceiros presentes nos territórios em que o urso-pardo poderá voltar a estar presente”, afirma João Paulo Catarino, Secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território.

“O potencial regresso do urso-pardo a Portugal lança grandes desafios aos diferentes agentes de conservação da natureza, pelo que antecipar o debate sobre este tema entre especialistas, atores locais, instituições académicas e autoridades nacionais é fundamental para estarmos todos mais preparados para garantir uma abordagem mais fundamentada, abrangente e transfronteiriça no que se refere a futuras ações de proteção desta espécie no país, se o seu retorno se vier a tornar uma realidade”, refere José Pereira, presidente da Palombar.

Para Hernâni Dias, presidente do Município de Bragança, a passagem desta espécie por Bragança “constituiu-se como um marco importante para este território, pelo que o debate desta temática é essencial, no sentido de haver uma preparação na forma de agir e de estar perante a forte possibilidade de este acontecimento se poder repetir com frequência”, sublinha.



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