Empresas portuguesas desafiadas a transformar boas intenções em práticas inclusivas

A inclusão deixou de ser um ideal distante para se afirmar como uma prática concreta que transforma culturas organizacionais e reforça o valor humano nas empresas, mas há ainda um  caminho para percorrer.

Rogério Junior

A inclusão deixou de ser um ideal distante para se afirmar como uma prática concreta que transforma culturas organizacionais e reforça o valor humano nas empresas, mas há ainda um  caminho para percorrer.

A sessão DEI Summit – Incluir é Agir!, inserida no segundo dia da 20.ª Semana da Responsabilidade Social, e que antecede o evento com o mesmo nome, que decorrerá nos dias 11 e 12 de novembro, em Lisboa, destacou a importância de passar da intenção à prática, mostrando que as políticas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) só produzem impacto real quando estão integradas na estratégia e na cultura das organizações. “Se as quisermos ver de forma estratégica, temos que perceber, em cada organização, o que é que pessoas vão precisar, fazer uma auscultação. Não vale a pena investir em medidas e em práticas que não vão ter alcance, que não são necessárias na organização ou até nem existem, mas mudar para outros segmentos, fazer um extra mile. Se, por exemplo, não há ciganos, pode-se abrir as portas a estas comunidades e fazer-se realmente um trabalho de integração, promovendo condições dignas de trabalho. Há formas de gerar lucro com empatia. Dou ao meu trabalhador mas também recebo”, referiu Mónica Canário, coordenadora de Projeto da APPDI – Associação Portuguesa para a Diversidade e Inclusão.

O poder da sensibilização

A moderação promoveu uma conversa aberta sobre os desafios que persistem, desde o recrutamento inclusivo até à criação de ambientes de trabalho onde todos se sintam representados e valorizados. “Estamos num ponto crucial e difícil em relação à diversidade, à equidade e à inclusão. Destacaria como um dos maiores problemas a transparência salarial entre homens e mulheres, inclusivamente com a entrada da diretiva europeia no início do próximo ano. Há também organizações que não atingiram as quotas necessárias no que respeita à integração no mercado de trabalho de pessoas com deficiência. Além disto, é preciso começar a tocar em temas que são fraturantes, como a questão da diversidade, da pertença étnico-racial. Continuamos com o racismo sistémico em Portugal, estrutural e precisamos de representatividade. Há pessoas que não chegam a cargos de decisão e de topo, porque têm determinadas características Não tem a ver com mérito, não tem a ver com potencial”, disse ainda a especialista.

Diversidade como motor de inovação

Já Mónica Carneiro, gestora de Projetos de DEI e Engagement do Grupo Ageas Portugal, apresentou a perspetiva de uma empresa que aposta na diversidade como fator de inovação, motivação e criatividade.
A oradora reforçou a importância de envolver todos os níveis da organização, mostrando que a inclusão é um processo coletivo e contínuo. “Trabalhamos ativamente esta questão desde 2022,  que envolve vários departamentos e que conta com o apoio da gestão de topo. O objetivo é sermos, cada vez mais, uma organização inclusiva, perceber quais são as necessidades específicas da nossa população, qual é a realidade e depois agir em conformidade e com impacto.”

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