Empresas terão de investir 64 biliões de euros para atingir metas do Acordo de Paris

O novo relatório da Associação Natureza Portugal (ANP|WWF) e da Boston Consulting Group (BCG) “Para além das metas baseadas na ciência: um plano de ação corporativa para o clima e a natureza”, sugere que para as empresas atingirem as metas do Acordo de Paris, terão de investir cerca de 64 biliões de euros.

A  transição sustentável é uma meta à qual as empresas atualmente se devem comprometer, a fim de garantir um futuro na sua área de negócio. A luta contra as alterações climáticas é uma prioridade global, independentemente do setor. De acordo com o documento, as empresas portuguesas ainda investem pouco na compensação de carbono, sendo a maior parte do seu foco direcionado para o descarbonizar da sua atividade.

No sentido de apoiar esta mudança, as duas entidades propõem um plano de ação, desenhado para ajudar as empresas na criação de uma estratégia que maximize o seu impacto climático, e que responda ao desfasamento entre o conjunto de soluções disponíveis e a escala dos problemas que pretendem resolver.

O Plano Corporativo de Mitigação Climática assenta em quatro pontos:

  1. Contabilizar e divulgar;
  2. Reduzir as emissões da cadeia de valor, em linha com um ambicioso plano com base científica;
  3. Quantificar o compromisso financeiro fixando preços pelas restantes emissões;
  4. Investir o compromisso financeiro para criar impacto positivo no clima e na natureza.

Entre as ações propostas no plano, como a compra de créditos de carbono, e os investimentos diretos em projetos que mitiguem o impacto da atividade na natureza e revertam as suas emissões, é destacada a prioridade de impulsionar o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que prevê 715 milhões de euros para apoiar a descarbonização da indústria.

“Não chega plantar árvores. Se queremos reverter a perda de natureza e travar as alterações climáticas, é urgente ter compromissos sérios de todos que efetivem uma mudança de fundo ao longo da cadeia de valor”, afirma Ângela Morgado, Diretora Executiva da organização ambientalista, reforçando que “empresas e fundos de investimento devem iniciar processos transformadores focados no bem-estar da comunidade, apoiando projetos e soluções baseadas na natureza, como o restauro ecológico ou a gestão ativa do território e oceano. Mas tal como na sociedade civil, não basta o esforço individual – a verdadeira transformação vem do esforço conjunto”.

Já Carlos Elavai, managing director e partner da BCG, refere que “Apesar de observarmos cada vez mais empresas a anunciarem planos de descarbonização, a maioria ainda não conseguiu concretizar uma estratégia que responda ao desafio climático e ao mesmo tempo permita capturar benefícios relevantes, quer na redução de custos, no crescimento de novos negócios ou na aplicação de preços premium. Em Portugal, esta dificuldade é ainda maior pela grande representatividade das pequenas e médias empresas no tecido empresarial, que têm menores recursos para estas iniciativas. Assim, é urgente que as empresas possam implementar mecanismos para contabilizar a sua pegada carbónica, entendendo melhor “onde”, “como” e “quando” a minimizar e que, ao mesmo tempo, repensem o seu modelo de negócio para um novo contexto socioeconómico dominado pela temática da sustentabilidade”, conclui.



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