Estamos perto de uma extinção em massa nos oceanos

“Os resultados mostram que a desoxigenação marítima está a ocorrer a níveis muito semelhantes aos anteriores a esse evento. Nessa altura a privação de oxigénio no mar também foi de 2%, com a diferença de que esse processo demorou dezenas de milhares de anos, mas agora aconteceu nos últimos 50 anos.”

A frase é de Sune Nielsen, do instituto Oceanográfico de Woods Hole, nos EUA, e o evento anterior refere-se ao Evento Anóxico Oceânico – 2 (OAE – 2),  uma hipoxia que ocorreu à 94 milhões de anos e levou à extinção “de 27% dos invertebrados marinhos”. Uma extinção em massa, portanto.

Sune Nielsen é um dos investigadores envolvidos no estudo agora publicado na revista Science Advances,que alerta para essa possível extinção em massa. “Não podemos afirmar que o oceano se encaminha para outro evento anóxico global, mas a tendência é de facto preocupante.”  E não estamos a falar de um período demasiado longo, neste caso e com estas tendências, o estudo aponta para um período entre os 100 e os 300 anos. E tudo por culpa da “actividade antropogénica humana”, que é como quem diz pela poluição causada por… nós.

Um dos maiores desertos biológicos do mundo existe já no golfo do México, na desembocadura do rio Mississippi, e por culpa da utilização de fertilizante e pesticidas, que correm para o mar matando as algas. Quando estas se decompõem o processo consome oxigénio, matando a vida marinha em seu redor ou, pelo menos, obrigando à sua fuga. O Mar Báltico, não estando tão mal, também está em sério risco. Mas a subida na temperatura dos mares, a acidificação dos oceanos e a absorção de quantidades cada vez maiores de dióxido de carbono da atmosfera são tudo problemas que alimentam esta tendência.

Foto: a Zona Morta no Golfo do México / Noaa

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