Por Ricardo Sacoto Lagoa, Diretor de Marketing, Sensibilização e Comunicação da Sociedade Ponto Verde
A sociedade de consumo chegou ao Natal. Na verdade, já lá está há muito tempo e, embora cada um de nós possa fazer um melhor planeamento e estar mais consciente nesta época festiva, é natural que a quantidade de embalagens que entram em nossa casa se intensifique, num curto espaço de tempo. Seja pelos momentos de convívio ou pelos presentes trocados entre familiares e amigos, o uso de embalagens de papel/cartão, plástico e vidro torna-se mais expressivo, acompanhando o espírito de partilha e celebração do Natal.
Esta realidade convida-nos a olhar para as embalagens com maior atenção e intenção. Se por um lado fazem parte da experiência natalícia, que é feita de encontros, partilhas e generosidade, por outro devem levar-nos a adotar práticas mais responsáveis que assegurem o seu correto encaminhamento. É uma forma simples e concreta de contribuirmos para um consumo mais consciente, ainda mais eficaz quando partilhada por todos no compromisso de separar e depositar corretamente as embalagens.
O momento assim o exige: Portugal tem como uma das metas ambientais recolher 65% de todas as embalagens que são colocadas no mercado, em 2025. E este desafio ganha sentido de urgência quando a realidade mostra que sete em cada 10 cidadãos já reciclam as suas embalagens, embora daqueles apenas um o faça corretamente. Ou seja, há ainda quem não recicle bem estes resíduos e cerca de 30% da população não tem este hábito nas suas rotinas.
Se estes dados já são preocupantes em qualquer altura do ano, tornam-se ainda mais relevantes no Natal, pelo que deve ser encarado como uma oportunidade para consolidar comportamentos responsáveis que permaneçam a cada dia. Trata-se de garantir que cada embalagem em fim de vida tem o destino certo e não acaba depositada em aterro, permitindo que os materiais sejam valorizados e regressem ao processo produtivo como matéria-prima secundária de qualidade, num contributo direto para a economia circular.
Para que mais cidadãos reciclem mais e melhor, é necessário reforçar a literacia ambiental. Este conhecimento pode e deve ser estimulado através de iniciativas de proximidade e por ferramentas digitais que orientem no momento certo, como a app Ponto Verde, sempre acessível para esclarecer dúvidas e apoiar decisões. Mas a tecnologia a esta dimensão, por si só, não é suficiente face aos objetivos. É igualmente essencial assegurar prestação de um melhor nível de serviço aos cidadãos, em qualidade e conveniência.
Só a combinação de ambos, informação clara e sistemas de recolha seletiva desenhados para o cidadão, permitirá aumentar de forma consistente a reciclagem de embalagens.
O Natal, com a intensidade que lhe é tão característica, evidencia ainda mais a necessidade de ação. Como sociedade, temos de estar comprometidos com um futuro mais sustentável, lembrando que cada gesto individual conta e que nenhuma ação é demasiado pequena quando integrada num esforço verdadeiramente coletivo. No caso concreto da reciclagem, significa que cada embalagem colocada no ecoponto verde, azul ou amarelo faz parte de uma equação maior, e chegaremos ao resultado que queremos.









