Depois de quase seis anos sem pisar a sua terra, Malala Yousafzai, prémio Nobel da Paz em 2014, finalmente regressou a casa. Uma visita que não agradou à principal federação das escolas particulares do Paquistão, que liderou um protesto nacional contra a activista sob o lema “Eu não sou Malala”. Acusações de “terrorismo ideológico” mancham a visita de Malala, no regresso à cidade onde foi baleada na cabeça por talibãs no caminho da escola para casa.

“Não damos as boas-vindas a Malala”, afirmou Mirza Kashif Ali, presidente da Federação de Escolas Particulares do Paquistão. Segundo Mirza Kashif Ali, Malala- agora com 20 anos- tem estado a trabalhar como agente para outros países. A prémio Nobel da Paz é ainda acusada de transmitir uma ideologia secular e de defender o escritor Salman Rushdie e o seu livro Versículos Satânicos. “Condenamos este terrorismo ideológico e protestamos por isso”, declarou Kashif.

Um protesto que teve origem ainda em 2014, pouco depois do livro “Eu Malala” chegar às livrarias. O livro onde a activista contava a sua história de sobrevivência, depois de um ataque violento por parte de radicais talibãs, não colheu aprovação junto desta federação, que acabou mesmo por proibir a leitura do mesmo nas salas de aulas do país.

Exemplo de resistência e ícone dos direitos das raparigas à educação, Malala confessou estar muito contente por voltar a casa. “Estou muito feliz. Nem consigo acreditar que estou aqui”, afirmou com emoção a Prémio Nobel na companhia de Shahid Khagan Abbasi, primeiro-ministro do Paquistão.

Para o futuro ficou a garantia de Malala que continuará a lutar pela educação das raparigas, lançando um apelo aos paquistaneses para que se junte a ela na luta por melhores cuidados de saúde e educação para o país.

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