A descoberta de um fóssil quase completo de um pequeno dinossauro na Patagónia, Argentina, poderá alterar o que se sabia sobre a evolução dos chamados alvarezsauroides — um grupo peculiar de terópodes caracterizados, em muitos casos, pelo reduzido tamanho corporal.
Descrito esta semana na revista Nature, o novo espécime pertence à espécie Alnashetri cerropoliciensis e terá vivido há cerca de 95 milhões de anos. Com um peso estimado inferior a um quilograma, é considerado um dos mais pequenos dinossauros não aviários alguma vez identificados na América do Sul.
O estudo, liderado por Peter Makovicky e uma equipa internacional de investigadores, indica que a miniaturização não foi uma característica herdada de um ancestral comum de todos os alvarezsauroides. Pelo contrário, o reduzido tamanho corporal terá evoluído de forma independente em diferentes linhagens ao longo do tempo.
Um terópode invulgar
Os alvarezsauroides integram o grupo dos terópodes — que inclui alguns dinossauros carnívoros e todas as aves modernas — e têm uma história taxonómica controversa. Inicialmente, chegaram a ser considerados parentes próximos das aves incapazes de voar. São também o único grupo de terópodes, além das aves, a apresentar fenómenos de miniaturização evolutiva.
No entanto, o registo fóssil é escasso, composto sobretudo por fragmentos encontrados na Ásia e na Argentina, o que tem dificultado a compreensão da sua evolução.
O novo fóssil destaca-se pelo seu grau de preservação. O esqueleto quase completo permitiu uma análise detalhada da anatomia do animal. Tal como outros alvarezsauroides, o Alnashetri apresentava um focinho semelhante a um bico, membros anteriores curtos e membros posteriores longos, munidos de garras.
Contudo, exibia diferenças relevantes: não possuía dedos reduzidos nos membros anteriores — uma característica comum noutros representantes do grupo — e os seus dentes eram menos miniaturizados. Estas particularidades sugerem que o seu pequeno porte poderá ter resultado de pressões evolutivas distintas das que afetaram outras espécies aparentadas.
Evolução repetida em vez de tendência comum
Com base na análise comparativa, os investigadores concluem que não há evidência de um único evento de miniaturização na origem dos alvarezsauroides. Em vez disso, o tamanho reduzido terá surgido repetidamente, de forma independente, dentro de um intervalo corporal relativamente estreito.
A descoberta contribui assim para reavaliar a posição evolutiva deste grupo enigmático e reforça a importância de novos achados fósseis bem preservados para clarificar a história dos dinossauros de pequena dimensão.









