Futuro do clima e Acordo de Paris jogam-se em Glasgow em dezembro de 2021

A pandemia de covid-19 pôs este ano um parêntesis na ambição internacional sobre as alterações climáticas, que agora se centra na conferência do clima marcada para dezembro de 2021 em Glasgow.

Green Savers com Lusa

A pandemia de covid-19 pôs este ano um parêntesis na ambição internacional sobre as alterações climáticas, que agora se centra na conferência do clima marcada para dezembro de 2021 em Glasgow.

É naquela cidade escocesa que se realizará a 26.ª Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas e se espera que os países reforcem contribuições políticas e financeiras para cumprir o Acordo de Paris de 2015.

Das Nações Unidas veio no fim deste ano um apelo para compromissos políticos, financeiros e simbólicos renovados, com o secretário-geral da organização, António Guterres, a pedir a todos os países que declarem “estado de emergência climática” até que consigam atingir a neutralidade em emissões de gases com efeito de estufa.

O objetivo traçado por Guterres para 2021 é uma “coligação alargada” que permita que em 2050 as emissões de gases com efeito de estufa sejam reduzidas ao ponto de poderem ser contrabalançadas com a capacidade de o coberto vegetal e os oceanos da Terra as absorverem de volta.

O ano pandémico de 2020 pode ter posto em suspenso milhares de milhões de pessoas e a atividade económica, mas pouco ou nada se ganhou em tempo para cumprir o Acordo de Paris e manter o aquecimento global até fim do século abaixo de dois graus em relação à temperatura média do mundo na época pré-industrial.

As emissões de dióxido de carbono e outros gases de efeito de estufa terão descido este ano entre 4% e 7%, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), que salienta que essa descida não se reflete na quantidade de dióxido de carbono já concentrado na atmosfera.

No passado dia 12, o Reino Unido — que organiza em parceria com a Itália a 26.ª COP — promoveu com a ONU uma Cimeira da Ambição Climática em que líderes de 75 países assumiram novos compromissos para cumprir as metas do Acordo de Paris, entre os quais a China, que se comprometeu a reduzir as emissões de dióxido de carbono por unidade do produto interno bruto em 65% até 2030.

A União Europeia, que apresentou o seu Pacto Verde, assumiu o compromisso de, nas contribuições determinadas nacionalmente que terão de ser atualizadas em 2026, conseguir até 2030 uma redução de emissões de pelo menos 55% em relação aos níveis de 1990.

O Reino Unido, cuja diplomacia trabalha nos bastidores para organizar a cimeira, presidida por Alok Sharma, também ministro da Economia, enfrenta o desafio de mostrar a sua capacidade de pôr todos de acordo numa COP decisiva e também se comprometeu a reduzir até 2030 as emissões em 68% por comparação com 1990.

Portugal tem para apresentar em Paris o seu Roteiro para a Neutralidade Carbónica, que estabelece 2050 como meta, o fim da produção de eletricidade a partir do carvão com o fecho das centrais de Sines e Pego e uma contribuição de 20 milhões de euros para o fundo que se destina a apoiar os países em desenvolvimento nas suas transições para energia limpa e neutralidade carbónica.

Ao todo, na cimeira pré-COP26 que se realizou em 12 de dezembro, 45 nações afirmaram as suas contribuições determinadas nacionalmente, 24 apresentaram datas para atingir a neutralidade carbónica e 20 propuseram planos de adaptação e resiliência.

A cerca de um mês da tomada de posse do novo Presidente norte-americano, Joe Biden, o regresso dos Estados Unidos ao Acordo de Paris deverá ser determinante para consolidar aquele compromisso assumido por quase 200 em países na 20.ª COP.

Durante 2021 há muito caminho a fazer para tentar resolver as pontas soltas que foram ficando desde 2015, como a regulação do mercado de emissões.

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