Futuro do setor da Gestão de Resíduos passa pela inovação, cooperação e ecodesign



“O Ecodesign na triagem e reciclagem” foi o mote da 1.ª edição das Jornadas da Embalagem, que aconteceu quarta-feira, 7 de fevereiro, em Fátima, foi divulgado em comunicado.

Segundo a mesma fonte, trata-se de um evento técnico organizado pela Sociedade Ponto Verde (SPV), que reuniu parceiros das áreas do setor da gestão de resíduos, como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a Direção-Geral das Atividades Económicas (DGAE), o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), a Lipor, a Micronipol, a RSTJ, a Saica Natur, a Sirplaste, a SONAE, a Papeleira Coreboard e a Valorsul, para refletir sobre o papel de cada um na promoção da inovação, melhoria e eficiência da reciclagem de embalagens.

A CEO da Sociedade Ponto Verde, Ana Trigo Morais, abriu o evento destacando a importância de “rever os modelos de investimento e os modelos de financiamento das atividades e de toda a cadeia de valor, desde o ecovalor até ao reciclador, passando pelo consumidor”.

Referiu, ainda, que a SPV preparou esta conferência “tendo em mente a importância de proporcionar este tipo de iniciativas, reforçando fortemente o seu papel enquanto agente agregador da cadeia de valor”, reiterando a urgência de se ter uma perspetiva integrada, cooperativa e colaborativa, de forma a definir-se o futuro do setor que se quer “mais moderno e eficaz”.

Também a economia circular esteve em debate no evento. “De acordo com o último Circularity Report, de 2023, nos últimos cinco anos a quantidade de debates, discussões, artigos (sobre economia circular, a nível mundial) triplicou. Realmente, fala-se muito de economia circular. No entanto, a circularidade a nível global teve um declínio. Assistimos a um declínio quando comparamos com 2018 e a principal razão para isto é o aumento do consumo (cerca de 28%)”, explicou a Investigadora e Coordenadora-adjunta da Unidade de Economia e Recursos do Laboratório Nacional de Energia e Geologia, Cristina Rocha.

Já a Vogal do Conselho Diretivo da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Ana Cristina Carrola, deu a conhecer os aspetos mais relevantes ainda em discussão na proposta de regulamento sobre Embalagens e Resíduos de Embalagens da União Europeia (PPWR). Ao longo da sua intervenção, deu conta de que a proposta ainda se encontra em processo de negociação e que se espera que seja fechada e divulgada em março, destacando que esta diretriz tem objetivos claros: “prevenir a geração de resíduos de embalagens, promover a reutilização e a reciclagem em ‘circuito fechado’ e aumentar a utilização de plásticos reciclados”.

A Diretora de Serviços de Sustentabilidade Empresarial da Direção-Geral das Atividades Económicas (DGAE), Carla Pinto, deu a conhecer como foram surgindo as políticas de ecodesign e do seu impacto nos sistemas de responsabilidade alargada do produtor, através da eco-modulação das prestações financeiras. Deu ainda nota de que a “a Comissão Europeia considera que o ecodesign é a forma mais eficiente de reduzir os impactos ambientais dos produtos” e que, efetivamente, “o mercado interno proporciona uma massa crítica que permite influenciar padrões mundiais de sustentabilidade e conceção do produto”.

O encerramento ficou a cargo do Diretor de Gestão de Resíduos da Sociedade Ponto Verde, João Letras, que, ao longo do seu discurso destacou que os desafios que existem “não se prendem apenas com o atingir metas, mas, sim, com o atingir as metas, que são bem mais exigentes, da forma mais eficaz e eficiente possível”.

“Para que isto seja possível é necessário ter ao dispor soluções de embalagem mais sustentáveis, que sejam fáceis de utilizar e de depositar seletivamente, mas também que sejam fáceis de triar e de reciclar. Caso contrário, todo o esforço já feito pelo consumidor pode não ser consequente se a embalagem se perder no processo ou se tiver uma influência negativa no fecho do seu ciclo de vida”, afirmou, reforçando também a mensagem da CEO da SPV: “Temos de exigir mais colaboração, mais tecnologia, mais inovação, mais literacia ambiental e mais transparência para gerir melhor e criar mais valor”.

Por fim, anunciou que as Jornadas da Embalagem vão continuar, “com temas semelhantes, com temas diferentes, para continuar a estreitar a distância na cadeia de valor e a promover a troca de informações e experiências entre todos: retomadores, SGRU, embaladores e entidades oficiais”.

 





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