Gato-selvagem em risco de desaparecer na Escócia



Uma investigação da Agência Escocesa do Ambiente, entre 2015 e 2020, concluiu que existem demasiado poucos gatos-selvagens (Felis silvestris) no país para permitir a sustentabilidade das populações locais, tanto a curto-prazo como a longo-prazo.

De acordo com os especialistas, a hibridização entre gatos-selvagens e gatos domésticos (Felis catus), a perda de habitat, a caça, os atropelamentos e as doenças são as maiores ameaças à sobrevivência da espécie na Escócia.

Em 2019, a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), com base em informações transmitidas pela Agência Escocesa do Ambiente, declarou que a população de gatos-selvagens no país poderia desaparecer sem programas de proteção e de reintrodução.

No decurso do projeto, foram analisadas 529 amostras genéticas de gatos que viviam em meio selvagem, mas verificou-se que nenhum deles correspondia exatamente à ‘impressão genética’ do gato-selvagem, tratando-se, na sua maioria, de híbridos.

A hibridização, o atropelamento e a perda de habitat são algumas das principais ameaças à sobrevivência dos gatos-selvagens na Escócia.
Foto: te Cairns / Scotland the Big Picture

Os especialistas analisaram também os cadáveres de 118 gatos, cerca de metade vítimas de atropelamento, mas nenhum deles, concluíram, se tratava de um gato-selvagem.

“O gato-selvagem escocês é uma espécie nativa icónica e muito acarinhada”, afirma Lorna Slater, ministra escocesa para a biodiversidade. “No entanto, a sua existência está ameaçada.”

Para reforçar a população que ainda existe dessa espécie nativa, e tentar evitar que desapareça totalmente da Escócia, foi criado o projeto ‘Saving Wildcats’, financiado pela União Europeia através do programa LIFE. O objetivo é criar um centro de reprodução em cativeiro de gatos-selvagens, que, depois de libertados, ajudarão a aumentar os números e a formar populações mais sustentáveis, sem que seja preciso mais intervenção humana.

Os autores da investigação consideram que a esterilização de gatos domésticos e de híbridos será fundamental para assegurar o ressurgimento dos gatos-selvagens, pelo que instam também as autoridades governamentais a implementarem leis que promovam a colocação de microchips nos gatos domésticos, para que possam ser mais facilmente identificados.

Além disso, salientam que a melhoria do habitat natural do gato-selvagem é indispensável à sobrevivência da espécie na Escócia, uma vez que a sua fragmentação é apontada como uma das principais causas da hibridização e que a proliferação de estradas que atravessam as suas áreas de ocorrência criam um fator acrescido de pressão, sobretudo por causa das mortes por atropelamento.

Helen Senn, responsável do projeto ‘Saving Wildcats’ e diretora de conservação da Royal Zoological Society of Scotland, considera que a investigação mostra que “os gatos selvagens estão verdadeiramente à beira da extinção na Grã-Bretanha” e que “ainda há muito trabalho a fazer para assegurar um futuro para a população escocesa de gatos-selvagens”.





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