GEOTA é a primeira organização de ambiente a remover uma barreira à conectividade fluvial em Portugal



O projeto Rios Livres GEOTA vai ser o promotor de uma intervenção pioneira de reabilitação fluvial, que incluirá a primeira remoção de uma barreira à conectividade fluvial em Portugal promovida por uma Organização de Ambiente, informou a GEOTA em comunicado.

Segundo a mesma fonte, a intervenção de reabilitação fluvial incidirá sobre um troço de 100 metros do Rio Alviela, cujas margens pertencem aos concelhos de Santarém e Alcanena. Os trabalhos de reabilitação começaram esta semana, estando prevista a remoção do açude para a segunda semana de dezembro em data a anunciar brevemente nas redes sociais Rios Livres GEOTA.

As barragens, os açudes e outras barreiras “servem diferentes propósitos, como o de irrigação, de abastecimento de água para consumo humano, e de produção elétrica”. Embora estas barreiras tragam “importantes benefícios às populações, constituem também uma das maiores ameaças aos ecossistemas ribeirinhos. Impedem o fluxo natural de água, de espécies de água doce e de sedimentos, sendo as principais causadoras do declínio de peixes migratórios e da erosão costeira, retendo os sedimentos que iriam alimentar naturalmente as nossas praias”, explica o comunicado.

“O Projeto Rios Livres GEOTA, tem como missão promover, proteger e restaurar os rios portugueses, em prol da natureza e das pessoas. Um dos nossos objetivos é promover a reabilitação dos ecossistemas ribeirinhos com foco na melhoria da conectividade fluvial. Rios em bom estado ecológico e mais livres de barreiras são essenciais para a conservação dos nossos recursos hídricos e para mitigar os efeitos das alterações climáticas e da seca”, avança Ana Catarina Miranda, coordenadora do Projeto Rios Livres GEOTA.

A responsável a acrescenta que “a remoção deste açude do Rio Alviela tornou-se uma prioridade do projeto Rios Livres GEOTA não só pela importância do restauro fluvial do rio Alviela, mas sobretudo por este ser um primeiro passo na promoção de uma Estratégia Nacional de Remoção de Açudes Obsoletos. Esta intervenção de reabilitação fluvial, idealizada e coordenada pelo Projeto Rios Livres GEOTA, foi financiada pela Fundação MAVA, e conta com a intervenção e colaboração da E Rio, dos municípios de Santarém e Alcanena, da Agência Portuguesa do Ambiente, assim como da população local”.

A Orientação para a Remoção de Barreiras para Restauro de Rios da Comissão Europeia estima a nível europeu a existência de 150 mil barreiras que atualmente estão obsoletas, ou seja, não têm qualquer uso, valor económico ou função social e a Estratégia para a Biodiversidade incluída no Pacto Ecológico Europeu tem como objetivo libertar de barreiras 25 mil km de Rios Europeus. Em Portugal, estima-se a existência de 13 mil barreiras nos nossos rios, muitas das quais obsoletas. No entanto, ao contrário de muitos outros países, Portugal não possui um programa nacional de remoção sistemática de barreiras obsoletas, conclui a mesma fonte.



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