Good Purpose: as boas causas também são bons negócios



A Optimus pediu recentemente aos seus clientes que trocassem as facturas em papel pelas electrónicas. Entre as cinco razões apontadas pela empresa de telecomunicações móveis para ajudar os seus clientes a fazerem esta transição, uma destaca-se: a responsabilidade ambiental.

“Ao aderir à factura electrónica contribui para a diminuição do consumo de papel e, por consequência, do abate de árvores”, pode ler-se no site da empresa.

Hoje de manhã, durante a apresentação do Good Purpose, a directora de comunicação da Sonaecom, Isabel Borgas, revelou outra. “A Sonaecom alinha as suas causas sociais com os próprios interesses de negócios”, realçou.

“Criamos soluções que são negócio para nós, mas que tornam os nossos clientes também mais “verdes” se é que se pode dizer assim”, concluiu.

Segunda adiantou ainda Isabel Borgas, no final da campanha o dinheiro poupado pela empresa da Sonaecom foi reinvestido numa iniciativa de reflorestação.

Este foi um dos exemplos partilhados na apresentação do estudo Good Purpose, que hoje de manhã encheu o auditório do ISCTE, em Lisboa.

“A maior parte das vezes as boas causas são bons negócios. Aliás, é uma questão de inteligência”, explicou Luís Rocharte, o secretário-geral do BCSD Portugal e um dos participantes no debate.

Para além da Sonaecom, também a Delta Cafés e a Caixa Geral de Depósitos estiveram representadas no debate do Good Purpose.

De acordo com Suzana Ferreira, directora de comunicação e marca da Caixa Geral de Depósitos, muitos dos conceitos ligados às boas causas estão a mudar, e se o trabalho de uma marca deverá ter como base o longo prazo, a responsabilidade social não fica atrás.

“A crise retirou-nos da nossa zona de conforto, estamos hoje mais vulneráveis. Por muito que comuniquemos o que estamos a fazer em relação a temas de responsabilidade social, se estas acções não forem coerentes as pessoas não ligam”, explicou Suzana Ferreira.

A responsável revelou a principal conclusão de um estudo encomendado pela instituição bancária e que deu conta que as pessoas “não estão disponíveis para pagar mais” por um produto ligado a uma boa causa.

O estudo da CGD levou-nos, então… à Delta. A histórica empresa portuguesa lançou recentemente a campanha Tempo Para Dar [na foto] – uma iniciativa que exemplifica uma das conclusões do Good Purpose: marcas e consumidores podem, juntos, fazer mais para apoiar as boas causas.

Na campanha Tempo Para Dar, a Delta não obrigou o consumidor a pagar mais por um produto que servia uma boa causa: a luta contra a solidão na terceira idade.

Antes, a empresa fundada por Rui Nabeiro já tinha promovido “Um Café por Timor”, o ponto alto da comunicação da responsabilidade social da empresa. “Foi o momento que projectou a Delta como marca socialmente responsável, apesar de já o sermos antes”, explicou hoje Rui Miguel Nabeiro, administrador da empresa.

Ainda de acordo com Isabel Borgas – e voltando à Sonaecom – o sucesso da estratégia da empresa para as causas sociais está ligado à clareza do propósito social e ao alinhamento com o core business.

“Temos campanhas de combate à infoexclusão… tem a ver directamente com o nosso core business”, explicou.

De acordo com o presidente da New 7 Wonders Portugal, Luís Segadães, as empresas não abraçam as causas sociais de forma espontânea. “As ONG estão muito activas e atentas e não deixam as empresas fazerem tudo o que querem. Mas é difícil a um marketeer alocar recursos ao propósito social”, explicou o responsável, ele próprio um marketeer.

O Edelman Good Purpose 2010 revelou que, quando confrontados com a escolha entre duas marcas, os consumidores globais preferem o propósito social (42%) ao design e inovação (31%) e lealdade à marca (27%).

Por outro lado, 64% dos respondentes afirmaram que não basta às empresas fazerem donativos, é preciso integrar as boas causas no seu negócio do dia-a-dia.

O estudo é único no seu género e avalia as atitudes dos cidadãos em torno dos propósitos sociais, incluindo o seu compromisso para com temas sociais específicos e expectativas dos consumidores face a marcas e empresas.

Pode ler mais sobre o estudo nestes dois links. E também as outras conclusões da edição deste ano.



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