Inaugurada nova reserva nas Galápagos que estabelece a maior área marinha protegida



O Equador inaugurou na sexta-feira uma grande reserva ao redor das ilhas Galápagos, numa cerimónia que contou com a participação de líderes internacionais que apoiam mais um passo para o estabelecimento da maior área marinha protegida do planeta.

A cerimónia decorreu em água, a bordo do navio Sierra Negra atracado na baía de Puerto Ayora, na ilha de Santa Cruz, e contou com a presença do Presidente colombiano Iván Duque, do ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e de delegações de alto nível da Costa Rica e Panamá, entre outros.

“Um oceano protegido permitirá proteger-nos das mudanças climáticas”, salientou o Presidente do Equador, Guillermo Lasso, citado pela agência EFE.

O chefe de Estado equatoriano assinou um decreto que formaliza a criação desta nova reserva, que inclui 60.000 quilómetros quadrados, que serão adicionados às áreas protegidas já existentes de 138.000 quilómetros quadrados.

“Podemos ser um território de pequenas dimensões e a nossa pegada ambiental pode ser insignificante em comparação com a de países mais ricos, mas o planeta também é nosso e hoje [sexta-feira], diante do desafio de protegê-lo, estamos a ficar maiores”, sustentou Lasso, que com o decreto estabeleceu a reserva marinha intitulada Irmandade.

Para o governo do Equador, esta decisão, anunciada em novembro durante a conferência do clima das Nações Unidas (COP26), é “um marco” que faz parte da “maior troca de dívida por conservação feita no mundo”.

Esta nova reserva estabelecerá um corredor marítimo entre as Galápagos e a Ilha dos Cocos, na Costa Rica, conhecida como ‘migravía’, por ser a passagem para dezenas de espécies protegidas.

Na COP26 os presidentes do Equador, Panamá, Costa Rica e Colômbia assinaram um acordo para proteger este corredor e avançaram no estabelecimento de uma área de dezenas de milhares de quilómetros quadrados para conservar espécies únicas no Pacífico tropical oriental.

“Para nós, ter feito esta declaração representou uma mensagem para o mundo – a maior área marinha protegida do planeta”, referiu o Presidente da Colômbia, Iván Duque.

O líder colombiano recordou que proteger as áreas marinhas não envolve apenas garantir que estas não estão sujeitas a exploração, mas “garantir a sobrevivência de mais de 40% das espécies marinhas em todo o mundo”.

O acordo alcançado entre os quatro países do Pacífico tropical procura uma gestão sustentável das Ilhas Cocos (Costa Rica), Galápagos (Equador), Malpelo (Colômbia) e Coiba (Panamá) para conservar aquele corredor marítimo que flui entre eles, considerado um dos que tem uma maior biodiversidade do mundo.

A reserva projetada em torno das ilhas equatorianas, declarada património natural da humanidade pela UNESCO em 1978, também ajudará a limitar a pesca indiscriminada nesta área do Pacífico tropical, habitada por 95% de espécies únicas.

Esta área protegida contará com 30.000 quilómetros de zona de não-pesca localizada na Serra dos Cocos e 30.000 quilómetros de zona de não-pesca localizada junto à reserva marinha no noroeste e servirá também como laboratório vivo para o desenvolvimento da investigação científica.





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