Incêndios devastadores em Los Angeles reacendem debate global sobre risco urbano



Os incêndios que atingiram Los Angeles em janeiro de 2025, em plena interface urbano-florestal, suscitaram um amplo debate internacional, incluindo na Austrália, sobre as causas da catástrofe e o risco de eventos semelhantes noutros países. Um ano depois, a investigação científica tem-se concentrado na análise dos fatores que estiveram na origem dos fogos, nos seus impactos e nas vulnerabilidades do ambiente construído, bem como nas medidas de resiliência que podem reduzir a destruição, diz em comunicado o Natural Hazards Research Australia.

Causas e impactos

Segundo a mesma fonte, apesar de terem ocorrido no inverno, condições extremamente secas e ventos intensos, próximos dos 160 km/h, criaram um cenário propício a incêndios de grande dimensão. Em janeiro de 2025, dezenas de fogos deflagraram, destacando-se os incêndios de Palisades e Eaton, que devastaram subúrbios vizinhos. Arderam cerca de 37 mil acres e mais de 16 mil estruturas foram destruídas, sobretudo devido à propagação do fogo de casa em casa. As perdas seguradas ascenderam a cerca de 40 mil milhões de dólares, tornando este o incêndio florestal mais dispendioso de sempre. Para além das 31 mortes diretas, estudos identificaram centenas de mortes indiretas associadas à má qualidade do ar, ao stress e a perturbações nos sistemas de saúde.

Vulnerabilidades do ambiente construído

Grande parte dos edifícios destruídos foi construída antes da entrada em vigor, em 2008, dos códigos de construção para zonas de interface urbano-florestal, o que explica a adoção desigual de medidas de proteção. Investigações mostraram que a reduzida separação entre estruturas, a presença de vegetação e outros materiais inflamáveis junto às habitações e a combinação de elementos construtivos resilientes com componentes vulneráveis aumentaram significativamente o risco de destruição. Estudos indicam que a distância entre edifícios é um dos fatores mais determinantes na sobrevivência das estruturas, sobretudo em áreas densamente urbanizadas.

Resiliência e políticas públicas

A investigação conclui que a resiliência aos incêndios exige uma abordagem integrada, na qual nenhuma medida isolada é suficiente. A combinação de códigos de construção adequados, reforço de edifícios existentes, separação entre estruturas e remoção de materiais combustíveis mostrou ser a estratégia mais eficaz. Neste contexto, a Califórnia avança com a criação da chamada Zona 0, que impõe a eliminação de materiais inflamáveis num raio de 1,2 metros em torno das habitações, com o objetivo de reduzir ignições causadas por brasas e chamas. A nova regulamentação deverá entrar em vigor em 2026 e abranger cerca de dois milhões de casas.

Lições para a Austrália

A Austrália tem experiência de incêndios graves em áreas urbanas e enfrenta desafios semelhantes, com muitas habitações não preparadas para o risco crescente. Investigação recente confirma que a criação de espaço defensável em torno das casas reduz significativamente as perdas, recomendando uma atenção especial à área imediatamente adjacente às habitações. Especialistas defendem uma estratégia nacional de resiliência habitacional, um sistema obrigatório de classificação da resiliência das casas e incentivos financeiros para promover o reforço do edificado, de forma a reduzir o impacto de futuros incêndios florestais.






Notícias relacionadas



Comentários
Loading...