As libélulas são elementos importantes dos ecossistemas, ajudando a controlar populações de outros insetos que, sem elas, podem causar problemas para os humanos, como os mosquitos. Por outro lado, servem de alimento a aves, peixes e anfíbios, pelo que o seu desaparecimento terá impactos profundos nos ecossistemas dos quais são parte.
Os antepassados das libélulas coexistiram com os dinossauros, voando por entre os corpos massivos desses grandes animais, e sobreviveram até à catástrofe que os eliminou da face da Terra. No entanto, podem não conseguir resistir às mudanças que os humanos estão a causar no planeta.
Os investigadores Sarah Nalley e Michael Moore, da Universidade do Colorado, em Denver, nos Estados Unidos da América (EUA), descobriram que o aquecimento global, uma das facetas das alterações climáticas, e os incêndios florestais mais intensos e frequentes podem estar a empurrar as libélulas para a extinção.
Num artigo publicado esta semana na revista ‘Nature Climate Change’, a dupla explica que os machos, com manchas negras nas suas asas, chamadas pterostigmas, traços que se pensa desempenharem um papel na reprodução, por exemplo, para atrair parceiros, podem estar em maior perigo. E, com eles, populações e espécies inteiras.
Contudo, os cientistas acreditam que essas libélulas estão especialmente vulneráveis ao aquecimento global. Ao analisarem 40 anos de dados sobre as populações de libélulas nos EUA, perceberam que esses insetos alados estão a desaparecer de habitats atingidos pelas chamas e de regiões com temperaturas mais elevadas.
Através de imagens térmicas, perceberam que as manchas negras absorvem o calor mais rapidamente do que o resto das asas, fazendo com que os machos sobreaqueçam. Por isso, tendem a passar mais tempo a descansar e menos tempo a procurar parceiras para reprodução, colocando em xeque o futuro das suas populações e até das suas espécies.
“Isto altera o que pensamos sobre vulnerabilidade”, explica Michael Moore, citando em comunicado. “Não se trata apenas de se os animais conseguem sobreviver após um incêndio florestal”, refere, mas sim “se conseguem reproduzir-se nesses ambientes modificados”.
“Essa é a chave para a sobrevivência a longo-prazo”, sentencia o investigador.
A equipa acredita que se animais como as libélulas, que existem há centenas de milhões de anos, estão vulneráveis às alterações que o planeta está a sofrer, então muitas outras espécies podem também estar a enfrentar sérios riscos.
Como tal, Moore e Nalley destacam a urgência de repensar as abordagens à gestão da vida selvagem para que se possa incluir não apenas o parâmetro sobrevivência, mas também os comportamentos e o sucesso reprodutivos.









