Incêndios na Amazónia em 2024 libertaram mais CO2 do que emissões anuais da Alemanha

No ano passado, a floresta tropical da Amazónia sofreu uma das épocas de incêndios mais devastadora dos últimos 20 anos, com uma perda estimada de 3,3 milhões de hectares.

Filipe Pimentel Rações

No ano passado, a floresta tropical da Amazónia sofreu uma das épocas de incêndios mais devastadora dos últimos 20 anos, com uma perda estimada de 3,3 milhões de hectares.

Num estudo publicado recentemente na revista ‘Biogeosciences’, um grupo de cientistas liderado pelo centro de investigação da Comissão Europeia (o JRC, na sigla em inglês) estima que as chamas resultaram na libertação para a atmosfera de 791 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), o equivalente às emissões geradas pela Alemanha durante um ano inteiro.

Esse valor é cerca de sete vezes mais elevado do que a média dos dois anos anteriores, dizem os investigadores, e a dimensão de área ardida, mais extensa do que a Bélgica, foi, em média, a nona maior em mais de duas décadas.

Segundo a investigação, os fogos “sem precedentes” que assolaram a Amazónia no ano passado foram provocados por uma combinação entre seca extrema devido ao aquecimento global, fragmentação florestal e gestão insustentável do solo que tem levado à degradação da floresta.

“A quantidade sem precedentes tanto de floresta queimada como das emissões de carbono resultantes expõem a crescente fragilidade ecológica da região apesar da desaceleração da desflorestação”, explicam os autores em comunicado.

No artigo, alertam que “o aumento da ocorrência de incêndios, impulsionado pelas alterações climáticas e o pelo uso insustentável do solo, ameaça empurrar a Amazónia para um ponto de não retorno”. Por isso, defendem que são urgentes “esforços coordenados” para aplacar essas causas e para evitar “danos irreversíveis” nos ecossistemas.

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