“Irresponsável e perigoso”: Greenpeace critica ação militar dos EUA contra a Venezuela e apela a transição energética justa

A organização ambientalista internacional Greenpeace lança duras críticas à decisão do governo dos Estados Unidos da América (EUA) para capturar as reservas de petróleo da Venezuela.

Redação

A organização ambientalista internacional Greenpeace lança duras críticas à decisão do governo dos Estados Unidos da América (EUA) para capturar as reservas de petróleo da Venezuela.

“O controlo e a exploração” dessas reservas é a “atual prioridade” do Presidente norte-americano, diz, em comunicado, Mads Christensen, diretor-executivo da Greenpeace Internacional, acrescentando que essa intenção é clara nos discursos que Donald Trump tem feito sobre o assunto.

“Numa era de aceleração do colapso climático, visar as vastas reservas petrolíferas da Venezuela desta forma é irresponsável e perigoso”, salienta. Para Christensen, “o único caminho seguro em frente é uma transição justa para lá dos combustíveis fósseis, que proteja a saúde, salvaguarde os ecossistemas e apoie as comunidades, em vez de se estar a sacrificar isso em prol do lucro de curto-prazo”.

Classificando a intervenção norte-americana na Venezuela como uma “ação militar ilegal” e uma violação tanto do direito internacional como dos poderes constitucionais da presidência norte-americana, a Greenpeace diz que “não se pode permitir que a situação seja explorada para fins de especulação petrolífera de curto-prazo ou de ganhos extrativistas por parte de governos ou empresas estrangeiras”.

Numa mensagem dirigida à comunidade internacional, Christensen sentencia que “os Estados devem resistir aos esforços para explorar a crise para a expansão dos combustíveis fósseis e, em vez disso, devem mobilizar apoio financeiro, jurídico e político para uma transição justa que sirva o povo venezuelano, e não os interesses petrolíferos”.

O povo venezuelano tem suportado anos de turbulência política, de dificuldades económicas e de profundo sofrimento social, diz a Greenpeace, indicando que essas provações foram em muito intensificadas pela dependência de indústrias extrativas e por pressões externas sobre os recursos naturais do país.

“É claro que a estabilidade não será alcançada com campos petrolíferos ou força militar”, destaca a organização. “É tempo de traçar um caminho diferente”, continua, de mobilização de financiamento climático, de alívio de dívidas e de apoio internacional para uma transição justa rumo à energia limpa e “a um futuro livre de combustíveis fósseis moldado pelas pessoas, não pelo lucro”.

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