Liga inglesa criticada por não reinvestir receitas milionárias nos projectos comunitários

Qualquer adepto de futebol sabe que a Liga Inglesa – a Premier League – é, financeiramente, um mundo à parte, movimentando milhares de milhões de euros por ano e sendo considerada, quase unanimemente, a melhor liga de futebol do mundo.

Quando foi hoje noticiado o adiamento do jogo entre o Tottenham e o Everton, a contar para a primeira jornada da Premier League, – o que implicará, naturalmente, a perda de receitas -, o Green Savers estava a preparar, há já uns dias, um texto sobre as críticas que o campeonato inglês de futebol vinha a coleccionar por não reinvestir as suas receitas milionárias nos projectos comunitários.

Por ironia do destino, os primeiros confrontos entre populares e polícia deram-se no bairro londrino de Tottenham, a poucos metros do White Hart Lane, estádio dos Hotspurs, uma das principais equipas mundiais e que movimenta, por ano, milhões de euros em contratações, receitas de bilheteira e de TV, contratos de patrocínio e merchandising. O mesmo Tottenham que, no próximo sábado, não poderá jogar, na ressaca dos distúrbios que esta semana varreram a capital britânica.

Se é verdade que os clubes britânicos têm extensos projectos de inclusão social que, na sua maioria, chegam a milhares de jovens das classes mais baixas ou desfavorecidas, não é menos verdade que o investimento nestas iniciativas não passa de uma gota no oceano do total que é movimentado e investido todos os anos.

Só no último contrato televisivo, relativo ao período entre 2010 e 2013, a Premier League encaixou 3,5 mil milhões de euros. Deste montante, apenas 50 milhões de euros são destinados a programas de inclusão social e projectos comunitários, assim distribuídos: 13 milhões para a Footbal Foundation, 22 milhões para os próprios programas dos clubes de futebol, 3,4 milhões para investir fora do Reino Unido e 9,2 milhões para investir em trabalho comunitário e desenvolvimento dos jovens.

Ao todo, a Premier League apenas investe por ano 4,3% da quantia recebida (só) dos direitos televisivos, quando se tinha comprometido, em Janeiro de 1999, a distribuir pelo menos 5% das suas receitas televisivas.

Nos últimos meses, a Premier League recebeu críticas de todos principais pilares da sociedade, incluindo do Governo britânico. Ainda hoje, a organização anunciou que cada um dos seus 20 clubes iria doar cerca de €28.000 para financiar equipamentos e outros acessórios de futebol para pequenos clubes e escolas de Inglaterra e País de Gales.

Repetimos: cada clube vai doar €28.000. Só Wayne Rooney, o futebolista mais bem pago de Inglaterra, ganha mais de €40.000 por dia (cerca de €285.000 por semana, ou seja, 13,6 milhões de euros por ano). Não será esta discrepância um motivo para reflectir?

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