Longe da multidão, no Alentejo autêntico

Casas de turismo rural há muitas, grandes, imponentes, bem decoradas. Mas poucas se comparam com as Casas Caiadas. Têm alma, simplicidade e aconchego. E isto faz toda a diferença.

Um conjunto de antigos moinhos de água transformou-se num turismo rural específico para famílias: uma casa só para as refeições e convívio; e outras duas para repousar e dormir. Passar os dias ao lado de uma ribeira que corre entre pedras, rodeado de oliveiras e freixos centenários, menires e piscina-praia. Um céu imenso por cima. Perto de Arraiolos, no Alentejo autêntico.

Na verdade, as Casas Caiadas são muito mais do que um turismo rural: são uma prova de amor, o Taj-Mahal pessoal de Mário e Paula, que de um monte em ruínas construíram um espaço com aspecto poético, de uma simplicidade impressionante. Ambos descobriram neste pedaço de Alentejo o local ideal para reconstruírem pequenas casas de uma enorme beleza. Encontraram, depois, no arquiteto Luís Pereira Miguel o parceiro certo para um projecto que já obteve reconhecimento nacional e internacional: foi candidato ao Prémio Vilalva, da Fundação Calouste Gulbenkian; encontra-se publicado no livro “Portuguese Restored Houses” (Uzina Books, 2014), archilovers , architizer , archdaily, wallpaper , divisare  e Attitude magazine.

As Casas Caiadas foram concebidas para acolher famílias até oito pessoas. num ambiente realmente acolhedor. A ideia deste casal, que se desdobra entre Lisboa e Arraiolos, é prestar todo o serviço que seja solicitado, mas dando sempre como primeira opção a autonomia e a máxima privacidade a quem se instalar naquela pequena “aldeia”: para além do pequeno-almoço e da limpeza diária, é como se estivessem sozinhos no mundo. Isto apesar de a pequena povoação do Sabugueiro ficar a pouco mais de um quilómetro… Mas aqui a vida quer-se em paz e ao ar livre, mesmo que estejamos no Inverno. Quando o frio aperta ou a chuva não dá tréguas, é sempre possível aproveitar as casas, com todos os seus esconderijos e recantos de paz.

De manhã, ao pequeno-almoço, o aroma doce a pão fresco e a café convida ao optimismo. Como se estivéssemos em casa. Aliás, as Casas Caiadas são um projecto turístico que nasce à volta deste casal, que é, como todos os casais, um território de enredos intensos: intimidades, cumplicidades, tensões. Primeiro surgiu este sonho que ambos partilharam desde o momento em que se apaixonaram: ter uma casa no campo – uma casa enquanto abrigo e lugar de amor. “Há quase cinco anos, decidimos construir uma casa de fim-de-semana no Alentejo”, conta Mário, sem esconder o entusiasmo. “Tínhamos o sonho remoto de um dia podermos viver parcial ou totalmente de um projecto turístico. Em três meses corremos o Alentejo de ponta a ponta, com grande intensidade, e no final desse período tínhamos encontrado um local maravilhoso e feito a escritura”.

Tudo o que Mário e Paula querem dar aos hóspedes é o que gostam para si próprios: conforto, decoração bonita, boa comida, o lado genuíno do Alentejo, mas com um toque de sofisticação…  As Casas Caiadas não são um negócio que segue um conceito market oriented, são sim uma extensão da vida deles. “Temos uma ligação muito próxima com os hóspedes, tudo isto é muito intimista”, acrescenta Mário.

De facto, o que diferencia este espaço é ser um verdadeiro negócio de família, um negócio feito com alma, sinceridade e carinho. Quando Mário e Paula compraram o terreno, com um moinho de água abandonado, vai fazer cinco anos, o moinho estava completamente caído, sem tecto, com vegetação de 50 anos de abandono, com silvas do tamanho de casas. Mas eles deliraram com a vida no campo, as noites estreladas, o cheiro da terra, a sensação de liberdade, de começar a vida de novo. “Nos meses seguintes, fomos limpando o terreno, e fomos descobrindo um lugar mágico, pelo qual nos apaixonámos”, revela Mário. “Nessa altura, jamais imaginávamos que hoje poderíamos estar a fazer este balanço tão positivo. Abrimos o turismo rural há pouco mais de um ano, e já conquistámos excelente reconhecimento nacional e internacional. Os nossos clientes vêm à procura de se desconectarem do mundo e de se ligarem à natureza”.

Para as famílias que gostam de passar uns dias num espaço rural muito puro, muito preservado, as Casas Caiadas oferecem três casas. A maior tem uma sala, uma cozinha e uma casa de banho: é o local de encontro por excelência, muito acolhedor, onde os objectos artesanais se conjugam com grande elegância com mobílias e peças minimalistas, de design internacional. Nesta casa, além dos pequenos-almoços em cada manhã, poderão ser também confeccionadas por uma cozinheira todas as refeições de gastronomia local que as famílias desejarem – serão elas a decidir, em cada dia, se querem uma ou duas refeições preparadas, ou se preferem fazê-las sozinhas.

Os dias nas Casas Caiadas, esses, podem ser dedicados a observar pássaros (que cantam com estridência em várias alturas do dia), a seguir os cursos das ribeiras andando sobre as pedras dos seus leitos – ou a fazer passeios a pé ou de bicicleta (disponíveis para os hóspedes) pelos caminhos de campo e pelas herdades contíguas. Se a natureza cansar, há também nas redondezas vilas de traça belíssima, com castelos e outros monumentos, óptimos restaurantes, um pouco de civilização. E, à noite, de regresso às casas, o céu oferece a possibilidade de contemplar as estrelas com condições de visibilidade como em poucas zonas do sul da Europa.

Se preferir, sente-se no alpendre apenas a escutar o silêncio. O silêncio não é um apartamento em Lisboa com vidros duplos, onde nada se ouve. O silêncio tem água a correr, tem oliveiras centenárias, tem vento, tem aves. O silêncio tem ruído. Uma pessoa tem de estar preparada para ouvir este silêncio.

Contactos:

https://www.facebook.com/casascaiadas/

962616474

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