Mais de 5.000 lobistas dos combustíveis fósseis participaram nas últimas 4 cimeiras climáticas

Noventa das empresas que enviaram lobistas para os maiores fóruns climáticos internacionais – onde os países se congregam para proteger o clima e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa – foram responsáveis por quase 60% da produção global de petróleo e gás em 2024.

Redação

Pelo menos 5.350 representantes de empresas de combustíveis fósseis estiveram presentes nas últimas quatro cimeiras mundiais sobre alterações climáticas das Nações Unidas.

De acordo com análise publicada esta sexta-feira pela coligação ambientalista Kick Big Polluters Out (KBPO), 90 das empresas que enviaram lobistas para as COP, os maiores fóruns climáticos internacionais – onde os países se congregam para proteger o clima e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa – foram responsáveis por quase 60% da produção global de petróleo e gás em 2024.

Só nesse ano, a quantidade de petróleo produzido por essas 90 empresas era suficiente para cobrir toda a área de Espanha, e ainda sobrava, com uma camada de combustível com um centímetro de espessura. E o mesmo grupo tem planos para continuar a expandir a produção.

Nas COP de 2021, 2022, 2023 e 2024, os lobistas representaram 859 diferentes organizações, incluindo 180 empresas, que participam em alguma etapa da cadeia de abastecimento de combustíveis fósseis, da exploração e produção à distribuição.

“Nos últimos três anos, as empresas de petróleo e gás que fizeram lóbi nas COP gastaram mais de 35 mil milhões de dólares por ano à procura de novos campos de petróleo, exacerbando o problema que as nações do mundo se reuniram para resolver”, diz, em nota, Fiona Hauke, da organização Urgewald, parceira da KBPO.

“Estas empresas têm defendido os seus interesses ao diluírem a ação climática ao longo dos anos. À medida que nos aproximamos da COP30, exigimos transparência e responsabilização: mantenham os poluidores fora das negociações climáticas e façam-nos pagar por uma transição energética justa”, salienta.

Para as últimas quatro COP, a Shell enviou um total de 37 lobistas, a BP 36, a ExxonMobil enviou 32 e a Chevron 20, segundo as informações divulgadas.

No ano passado, para a COP29 que se realizou em Baku, no Azerbaijão, o lóbi dos combustíveis fósseis enviou 1.773 representantes, mais do que as delegações dos 10 países mais vulneráveis aos efeitos da crise climática, que ficaram pelos 1.033 membros.

Os olhos estão agora postos na COP30, que arranca oficialmente dia 10 de novembro e estende-se até dia 21. Como não foram tomadas medidas para vedar o acesso dos lobistas, é possível que um batalhão de representantes dos interesses dos combustíveis fósseis esteja presente na cidade de Belém.

“Os gigantes do fóssil, da mineração e do agronegócio estão a tomar conta das nossas instituições globais e a transformar negociações climáticas em exposições comerciais para os poluidores”, refere Nerisha Baldevu, membro da KBPO por parte da organização sul-africana groundWork/Friends of the Earth South Africa.

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