Mais educação pode significar menos enfartes

A doença coronária (CHD) é uma das principais causas de morte nos países desenvolvidos, sendo considerada uma típica “doença da civilização”. O tabagismo, a hipertensão arterial e colesterol de lipoproteínas de baixa densidade são geralmente aceites como factores de risco e estão reflectidos em estratégias de prevenção. Mas a comunidade científica admite que existe uma incerteza substancial que envolve outros factores potenciais.

Décadas de estudos observacionais têm associado consistentemente factores socioeconómicos, como o ensino superior, com menor risco de CHD. Agora, um novo estudo, publicado esta semana na revista “British Medical Journal” e liderado pelo investigador  Taavi Tillman, revela que mais anos de educação podem significar uma redução de 27% no risco de vir a sofrer de doenças coronárias.

Julien Vaucher, um dos cientistas envolvidos neste estudo, explicou ao El Mundo que o problema dos estudos tradicionais é que a associação entre um factor de risco e uma doença “pode ​​ser tendenciosa”. No entanto, este trabalho parece ter conseguido estabelecer uma relação causal para o que constitui a maior prova da existência desta relação. Para chegar a esta conclusão, os investigadores – da University College de Londres, da Universidade de Oxford (ambos no Reino Unido) e da Universidade de Lausanne (Suíça) – analisaram 112 estudos anteriores em que aparecem 162 variantes genéticas associadas à educação de mais de 540 000 pessoas de vários países da Europa e dos Estados Unidos, cujos dados foram obtidos de várias bases de dados genéticos.

Um dos objectivos deste estudo também é o de promover o debate político sobre o aumento da escolaridade para melhorar a saúde pública. A este respeito, Roberto Elosua Llanos, do Comité Espanhol Interdisciplinar para a Prevenção Cardiovascular e investigador do Instituto Hospital del Mar de Investigaciones Médicas de Barcelona, citado pelo jornal espanhol, diz que melhorar o nível de educação da população diminui o risco de doença cardíaca porque “desenvolve um espírito mais crítico”. Além disso, referem, “um curso superior também está relacionado com melhores empregos e salários, o que se traduz em maior acesso à saúde ou maior qualidade nos alimentos”. 

Foto: Creative Commons

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