México: grupo de crianças consegue parar construção de empreendimento de €835 milhões



Há 20 anos que uma área de floresta densa, mangais e habitat de crocodilos, entre outros animais, encontra-se ameaçada por um projecto turístico em Cancun, no México. Promovido pela Agência Turística Mexicana, o projecto imobiliário teve finalmente luz verde para avançar nos últimos meses, e começou imediatamente a destruição de algumas árvores, num terreno com 69 hectares.

No início de Novembro, no entanto, um juiz suspendeu permanentemente o projecto devido a uma queixa apresentada por 113 crianças da cidade mexicana. O juiz determinou ainda que este grupo de jovens terá de pagar €1,1 milhões aos promotores imobiliários, para cobrir as despesas do projecto até agora – um grupo de advogados, porém, vai tentar convencer o tribunal que esta medida não se pode aplicar às crianças, uma vez que estas são menores.

O empreendimento deveria construir várias casas, lojas e uma praça gigantesca e abrir as portas este Verão.

A queixa foi apresentada em Setembro e pedia ao juiz para parar imediatamente o projecto, alegando que as 113 crianças têm o direito constitucional a viver num ambiente saudável. “Se passarmos a vida a deitar tudo abaixo vamos acabar por morrer. E as árvores ajudam-nos a respirar”, explicou ao Quartz Ana, de quatro anos, uma das 113 crianças que ajudou a parar o empreendimento turístico.

Este é o primeiro processo, no México, que advoga os direitos colectivos das crianças sobre os interesses corporativos, tendo em conta a protecção do ambiente, segundo a advogada do grupo, Carla Gil. Na verdade, no início do ano um grupo de crianças norte-americanas já tinha utilizado argumentos idênticos para forçar a administração Obama a agir por uma mudança na política climática.

O México é um dos países com mais mangais do mundo, segundo a sua própria Comissão Nacional pelo Conhecimento e Uso da Biodiversidade. No entanto, nas últimas três décadas terá perdido 10% destas áreas.

“Par a comunidade de Cancun, proteger os mangais é uma questão de sobrevivência”, de acordo com Araceli Dominguez, ambientalista do Grupo Gema. “Não é apenas uma visão romântica de querer proteger pequenas plantas”.

Foto: Tony Hisgett / Creative Commons





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