Os líderes da União Europeia terão hoje uma discussão “provavelmente difícil” sobre as medidas para baixar preços da energia, antecipou o presidente do Conselho Europeu, dizendo ainda assim esperar “um impacto positivo” da cimeira, dada a acentuada crise energética.
“Hoje, estamos entusiasmados em dizer que temos medidas disponíveis para agir no sentido de baixar os preços, de reduzir o consumo e também para garantir, tanto quanto possível, a segurança do abastecimento, [já que] as propostas em cima da mesa estabelecem um bom equilíbrio para acordo”, declarou Charles Michel.
Falando à entrada para a cimeira europeia, em Bruxelas, o presidente do Conselho Europeu admitiu, contudo, que a discussão será “provavelmente difícil”.
“Mas isto é muito importante, hoje ou amanhã [sexta-feira], para enviar um sinal muito forte de que estamos determinados a trabalhar em conjunto a fim de ter um impacto positivo, é fundamental para as nossas famílias e para as empresas em toda a União Europeia (UE)”, apelou Charles Michel.
Também falando à entrada para o encontro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, falou numa “importante reunião”, para a qual a UE parte com ações que já permitiram “compensar, nos últimos oito meses, diversificando o abastecimento da Rússia para fornecedores fiáveis”, o que já resultou numa redução de 15% no consumo de gás no espaço comunitário.
“Conseguimos encher os nossos armazéns e utilizámos mais energia renovável, pelo que foi sobre esta base muito sólida que a Comissão apresentou um pacote substancial, que será discutido hoje”, adiantou a líder do executivo comunitário.
Ursula von der Leyen considerou ainda ser “importante investir massivamente em fontes de energia domésticas que deem independência e segurança de abastecimento”, defendendo “espaço orçamental para investir nesta transição” através do pacote energético REPowerEU.
A crise energética na UE marca a discussão na cimeira europeia que hoje arranca em Bruxelas, até sexta-feira, com os líderes europeus a estudarem medidas para combater os elevados preços e assegurar a segurança do abastecimento.
Os líderes europeus – incluindo o primeiro-ministro, António Costa – vão discutir propostas como um mecanismo temporário para limitar preços na principal bolsa europeia de gás natural, a criação de instrumentos legais para compras conjuntas de gás pela União – que só deve avançar na primavera de 2023 – e ainda regras de solidariedade no bloco comunitário para disponibilização de gás a todos os Estados-membros em caso de emergência.
O executivo comunitário propôs também que fundos de coesão não utilizados, até um total de 40 mil milhões de euros, possam ser atribuídos a Estados-membros e regiões para ajudar a enfrentar a atual crise energética e garantiu avançar com uma reforma estrutural do mercado da eletricidade.
Uma outra medida em cima da mesa – para a qual ainda não houve proposta da Comissão Europeia, mas que já merece oposição de alguns Estados-membros precisamente pela configuração do seu cabaz energético – é a aplicação na UE de um sistema semelhante ao mecanismo ibérico em vigor desde junho passado, que limita o preço de gás na produção de eletricidade.
Outra questão discutida neste Conselho Europeu é a de como apoiar as empresas e as famílias perante a atual crise energética, sendo que o primeiro-ministro português, António Costa, já veio defender que a UE reutilize para esse efeito cerca de 200 mil milhões de euros de dívida comum já emitida, mas ainda não gasta.
A cimeira europeia acontece numa altura de altos preços no setor da energia e quando se teme, este inverno, cortes no fornecimento russo de gás à UE.









