Moçambique já vive com “a sombra da maldição” dos recursos naturais

Moçambique já vive com “a sombra da maldição dos recursos” naturais e deve aumentar o financiamento que assegure o usufruto dos direitos humanos básicos pelas populações vulneráveis, para evitar conflitos, defende um estudo consultado hoje pela Lusa.

Green Savers com Lusa

Moçambique já vive com “a sombra da maldição dos recursos” naturais e deve aumentar o financiamento que assegure o usufruto dos direitos humanos básicos pelas populações vulneráveis, para evitar conflitos, defende um estudo consultado hoje pela Lusa.

Com 22 páginas, o estudo intitula-se “Tributação justa e eficiente: Um caminho para quebrar a maldição de Recursos Naturais” e é da autoria da Fair Tax Monitor (FTM) – ou Monitoria Fiscal Justa – um mecanismo internacional não-governamental que avalia a eficiência fiscal dos países.

Sobre Moçambique, a análise sublinha que “a sombra da maldição dos recursos já paira sobre o país, num contexto em que a indústria extrativa é conhecida pelos seus ciclos de expansão e recessão, deixando os países vulneráveis a choques económicos e à instabilidade social”.

O FTM sustenta que “Moçambique já experimentou violações de direitos humanos relacionadas com o reassentamento das comunidades que viviam nas áreas de extração de recursos naturais, bem como conflitos sobre quem deve beneficiar da extração dos recursos”.

O país, prossegue, é rico em recursos naturais como gás natural, carvão, grafite, areias pesadas, pedras preciosas e ouro, mas continua na lista dos países mais pobres do mundo, com elevados níveis de desigualdade e um histórico de conflitos violentos e de instabilidade política.

Nesse sentido, para financiar os serviços públicos e garantir os direitos humanos básicos, o sistema fiscal moçambicano precisa de arrecadar mais receitas e aplicá-las da melhor forma, defende o FTM.

No estudo refere-se que as indústrias extrativas de Moçambique apresentam oportunidades e riscos e, se forem bem geridas, têm o potencial de produzir receitas e benefícios significativos para as comunidades.

Por isso, acrescenta-se, o Governo deve dar prioridade às despesas do setor social, cumprindo os compromissos internacionais e regionais de alocar pelo menos 15% e 20% do orçamento anual para os domínios de saúde e educação, respetivamente.

Por outro lado, deve ser assegurada uma gestão sustentável da dívida, defende o FTM, observando que o Estado moçambicano “já se debate com o endividamento feito a pensar nas reservas de gás natural da Bacia do Rovuma”.

No estudo, o Governo é instado a reorientar a despesa pública para acelerar a descentralização dos recursos para o nível local e reduzir as assimetrias regionais, bem como a respeitar rigorosamente as regras orçamentais associadas à contratação da dívida pública.

O executivo também deve apresentar um plano de redução da dívida para uma trajetória sustentável.

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