Mudar a alimentação pode ajudar a reduzir a ingestão de ‘químicos eternos’



As substâncias perfluoroalquiladas (PFAS), vulgarmente conhecidas como ‘químicos eternos’, são um amplo conjunto de substâncias químicas sintéticas que estão presentes numa grande variedade de produtos que usamos praticamente todos os dias.

Por serem compostas por ligações químicas fortes entre o carbono e o flúor, a sua decomposição é muito lenta, podendo, quando ingerido, acumular-se no organismo de seres vivos e no ambiente, podendo causar problemas de saúde. De acordo com a Agência Europeia de Químicos (ECHA), as PFAS podem afetar a reprodução, o desenvolvimento dos fetos, e nos humanos podem prejudicar o sistema endócrino e até causar cancro.

Como essas substâncias podem ser encontradas numa sem-número de produtos, como embalagens e utensílios de cozinha, só para nomear alguns, pensa-se que a forma como nos alimentamos, e o que comemos, podem influenciar diretamente a concentração de ‘químicos eternos’ nos nossos organismos.

Uma investigação nos Estados Unidos da América quis precisamente perceber a ligação entre as PFAS e a dieta humana. Num artigo publicado na revista ‘Environment International’, revelam que quanto maior for o consumo de chá em bolsas, de carnes processadas e de comida preparada fora de casa maior poderão ser os níveis de PFAS acumulados no corpo ao longo do tempo.

“Estamos a começar a ver que mesmo alimentos que são metabolicamente bastante saudáveis podem estar contaminados com PFAS”, afirma, em comunicado, Hailey Hampson, da Universidade da Califórnia do Sul e primeira autora do trabalho.

A investigadora sugere que é preciso lançar um novo olhar sobre o que se considera ser comida saudável, uma vez que, mesmo essa, poderá estar a contaminar os nossos organismos e, por arrasto, o ambiente.

O estudo incluiu inquéritos e a análise de amostras de sangue de dois grupos com um total de 727 jovens adultos norte-americanos, em duas fases com um intervalo de quatro anos, para se poder perceber alterações na concentração de PFAS ao longo do tempo.

Os resultados mostraram que os participantes que tinham revelado maiores consumos de chá, por um lado, e os que diziam comer mais carne de porco, por outro, mostraram ter os níveis mais elevados de PFAS no seu sangue na segunda ronda de análises. Por isso, “os participantes que consomem mais chá, cachorros-quentes e carnes processadas tinham os níveis mais altos de PFAS”, concluem os cientistas em nota.

Contudo, o consumo de refeições confecionadas em casa parece estar relacionado com níveis mais baixos de ‘químicos eternos’, avançam os cientistas.

Por isso, estes investigadores acreditam que mudanças nas nossas dietas podem ajudar a reduzir a ingestão de químicos eternos e, com isso, reduzir os impactos dessas substâncias tóxicas nos nossos organismos, bem como no ambiente.





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