N2O: este gás é mais prejudicial para o ambiente do que o CO2 e está a aumentar, afirma novo estudo

Um novo estudo publicado na revista Nature sugere que o óxido nitroso – um gás 300 vezes mais prejudicial para o ambiente do que o dióxido de carbono – está a aumentar constantemente na atmosfera.

Os cientistas que conduziram o estudo descobriram que é na agricultura que é produzido este gás em maior quantidade, onde é produzido como um subproduto do nitrogénio, amplamente utilizado na agricultura como fertilizante.

Em 1750 o óxido nitroso da atmosfera tinha 270 partes por bilião em 1750, de acordo com o estudo, e subiu para 331 partes por bilião em 2018. O aumento mais rápido ocorreu nas últimas cinco décadas.

De acordo com as suas descobertas, esta equipa indica no estudo que, seguindo o aumento atual, a quantidade de óxido nitroso na atmosfera poderá aumentar a temperatura em 3 graus acima da média pré-industrial até 2100, o que está muito além da meta de 1,5 ou 2 graus estabelecida.

“Atualmente, as emissões estão a caminho de causar um aumento da temperatura global acima de três graus até o final deste século”, disse Hanqin Tian, ​​co-autor do estudo e diretor do Centro Internacional para Investigações de Alterações Climáticas e Globais da Escola de Silvicultura e Ciências da Vida Selvagem da Auburn University no Alabama, EUA, em comunicado.

Quando se trata de alterações climáticas, os três principais gases de efeito estufa são de particular preocupação: dióxido de carbono (CO2), metano e óxido nitroso (N2O).

Embora a maior parte do foco esteja no CO2, há uma preocupação crescente com o metano e o N2O.

O estudo descobriu que a agricultura foi responsável por quase 70 por cento do N2O global causado pelo homem entre 2007-16, com a maior parte vindo do Leste Asiático, Europa, Sul da Ásia e América do Norte. Mas as maiores taxas de crescimento foram encontradas em economias emergentes como o Brasil, Índia e China.

Os autores sugerem que, com melhores práticas agrícolas, as reduções podem ser significativas, reduzindo assim o aumento nas emissões de N2O.

Por exemplo, eles observam que a Europa tem visto um declínio nas emissões de N2O devido à introdução do comércio de emissões e porque muitos países estão a adoptar um uso mais eficiente de fertilizantes. A indústria química também ajudou reduzindo as emissões.

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