Nadar em cardumes ajuda peixes a gastarem menos energia

Uma nova investigação revela que os peixes que nadam em cardumes são capazes de conservar mais energia do que os que nadam sozinhos.

Filipe Pimentel Rações

Várias espécies de animais tendem a viver e a funcionar em grupos. Com a ajuda de conspecíficos, podem mais facilmente defender-se de predadores, explorar novos ambientes e até encontrar parceiros.

Agora, uma nova investigação revela que os peixes que nadam em cardumes são capazes de conservar mais energia do que os que nadam sozinhos.

Como a água oferece uma resistência ao movimento 50 vezes superior à do ar, os animais aquáticos têm de gastar mais energia para se deslocarem de um lado para o outro. Além disso, estima-se que, em média, exista cinco vezes menos oxigénio num quilograma de água do que na mesma quantidade de ar, pelo que os peixes evoluíram para otimizar a forma como produzem e gastam energia nos ambientes onde vivem.

Dois cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos da América, através de experiências em laboratório com grupos de peixes da espécie Devario aequipinnatus, e da aplicação de princípios da biomecânica, perceberam que havia um gasto de energia muito menor por cada batida da cauda, cerca de menos 56% comparando com peixes solitários.

Em laboratório, os cientistas avaliaram os gastos de energia de peixes da espécie Devario aequipinnatus.
Foto: Yangfan Zhang

“O que descobrimos é que o custo total para o grupo de mover como um todo é muito menor por biomassa comparado com o indivíduo”, explica, em comunicado, Yangfan Zhang, primeiro autor do artigo publicado na revista ‘eLife’.

Além disso, perceberam ainda que o menor gasto de energia do grupo acontecia quando a velocidade não excedia nem caía abaixo de um comprimento corporal por segundo. Ou seja, se o cardume percorresse, num segundo, mais ou menos do que o tamanho corporal dos indivíduos gastaria mais energia.

“Quando olhamos para estudos que monitorizam animais selvagens, vemos que muitos animais migram a uma velocidade perto de um comprimento corporal por segundo”, salienta Zhang.

Nadar mais rápido do que isso gasta mais energia, e mais devagar também por causa da resistência causada pela água.

Os investigadores sugerem que, ao pouparem energia, os peixes em cardumes podem ter mais hipóteses de escapar a predadores, e argumentam que essas poupanças energéticas e os seus benefícios “podem estar na base da prevalência nos peixes da locomoção coordenada em grupo”.

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