No mundo dos tritões, são as fêmeas quem tem o ‘toque’ mais tóxico



Os tritões são anfíbios, aparentados das salamandras, e a suas peles húmidas produzem uma neurotoxina, conhecida como tetrodotoxina, que se pensa ser usada, por estes e outros animais, como mecanismo de defesa contra predadores, como as cobras.

Nos tritões do género Taricha, já tinham sido identificados traços que diferem de machos para fêmeas, o chamado dimorfismo sexual, como o tamanho da cauda e a dimensão corporal. E até agora pensava-se que tanto eles como elas produziam as mesmas concentrações de tetrodotoxina, mas uma equipa de cientistas dos Estados Unidos da América revelou que, afinal, há diferenças.

Através de amostras recolhidas da pele de mais de 850 tritões em 38 locais no estado norte-americano da Califórnia, perceberam que as fêmeas Taricha produzem mais toxinas do que os contrapartes machos, e, por isso, são mais perigosas para aqueles que pretendam fazer delas a próxima refeição, que poderá também ser a última.

“Para potenciais predadores, estas concentrações maiores representam uma séria ameaça”, afirma Gary Bucciarelli, investigador da Universidade da Califórnia e um dos autores do artigo publicado esta terça-feira na revista ‘Frontiers in Amphibian and Reptile Science’.

O cientista explica que um só tritão Taricha pode produzir até 54 miligramas (54 mil microgramas) de tetrodotoxina, e que “doses até 42 microgramas por quilograma de peso corporal podem resultar em hospitalização ou morte”. Significa isso que tocar num destes anfíbios poderá resultar num desfecho fatal.

Ainda é desconhecida a razão pela qual as fêmeas de tritão são mais tóxicas do que os machos, mas os investigadores sugerem que poderá dever-se ao facto de a pele das fêmeas poder transportar mais toxinas ou por os mecanismos de produção de toxinas nas fêmeas funcionarem de forma diferente.

Sendo mais tóxicas, as fêmeas ficam mais bem protegidas de ataques de predadores quando, por exemplo, estão a cuidar dos seus ovos. Outra possível explicar poderá ser que as progenitoras usam a toxicidade excessiva para cobrir os seus ovos de uma camada protetora, ajudando a mantê-los a salvo.

Além disso, no mundo dos tritões, e no de outros animais produtores de toxinas, a comunicação química é bastante importante, pelo que não se afasta a possibilidade de a elevada toxicidade das fêmeas poder funcionar como meio de transmissão de mensagens aos machos, como se estão ou não disponíveis para acasalar.





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