No início do Neolítico, há cerca de 7.500 anos, os humanos já tinham outras práticas de criação de gado além da transumância e dedicavam-se também à agricultura. A conclusão é de uma investigação de cientistas portugueses e espanhóis que estudaram restos arqueológicos na região de Osca, no norte de Espanha.
A equipa, que inclui Vanessa Navarrete, da Universidade de Évora e que é a primeira autora do artigo publicado na revista ‘Frontiers in Environmental Archaeology’, conseguiu caracterizar os hábitos alimentares e de criação de gado desses grupos humanos ancestrais, que terão sido dos primeiros a fixar-se em regiões montanhosas na Península Ibérica, a mais de 1.500 metros acima do nível do mar.
Para isso, combinaram análises de isótopos estáveis de carbono e nitrogénio contidos no colagénio de restos osteológicos de animais e humanos encontrados numa gruta conhecida como Coro Trasito, “para determinar a dieta e a posição dos animais na cadeia alimentar”, explicam em comunicado.
Os resultados revelaram que esses grupos humanos criavam, essencialmente, vacas, ovelhas, cabras e porcos, embora os bandos de animais fossem pequenos, e eram usados pela sua carne e leite.
Assumia-se que a presença dos humanos nessa região pirenaica era sobretudo sazonal, ocupada durante processos de transumância, mas a investigação revelou uma permanência mais longa, com práticas agrícolas e pecuárias estabelecidas, e que alguns dos animais eram alimentados com excedentes da agricultura, indicando uma ligação entre essas duas atividades.
“Os resultados das análises arqueozoológicas, isotópicas e arqueológicas revelam que os habitantes da gruta de Coro Trasito faziam sobretudo uso de recursos domésticos”, explicam os investigadores, apontando que “a presença de atividades transformativas relacionadas com produtos lácteos e gordura, bem como a existência de estruturas de armazenamento dentro da gruta”, sugerem que a área estava integrada “num ainda maior e mais complexo sistema económico”.









