Foi o seu canto único que despertou a curiosidade da equipa de cientistas. Com uma pele repleta de cores, a Hyloscirtus japreria tem na Serra de Perijá, Venezuela, o seu porto seguro. A descoberta está a entusiasmar a comunidade científica, com a equipa de investigação a comparar o momento com “um orgasmo intelectual”.

Rios e cursos de água a mais de mil metros de altitude são o seu poiso de eleição, com a  Serra de Perijá a constituir o cenário ideal. A viver tranquilamente até ao momento na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, a Hyloscirtus japreria partilha o espaço com várias outras espécies endémicas.

E se o tamanho deste anfíbio deixa algo a desejar, a potência do seu cantar pode ser ouvida a mais de 15 metros de distância. Foi exactamente este som tão inusitado que alertou o biólogo Edwin Infante e a sua equipa, que percorreram o local até descobrir Hyloscirtus japreria.

Um trabalho de investigação que durou vários anos, culminando no artigo científico publicado recentemente na revista Zootaxa. “Passaram-se vários anos antes que pudéssemos obter evidências suficientes de que se tratava de uma nova espécie”, afirmou o biólogo Fernando Rojas-Runjaic, coordenador do estudo, que começou em 2008.

Hyloscirtus japreria, ganhou o seu nome em homenagem aos járerias, grupo étnico de Perijá, no estado de Zulia, no noroeste da Venezuela.

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