Uma expedição revelou um ecossistema marinho único nas águas das Ilhas Pitcairn, território britânico no oceano Pacífico. As ilhas são um dos locais mais remotos do planeta, a milhares de quilómetros de qualquer continente e, até agora, as ilhas conseguiram escapar à poluição e pesca excessiva que dizima vários ecossistemas marinhos pelo mundo fora.
As ilhas são habitadas apenas por 53 pessoas e a maior parte descendem de marinheiros amotinados século XVIII. Foi o isolamento do território que atraiu a expedição Pristine Seas da National Geographic ao local.
“O isolamento significa que as ilhas têm sido preservadas o mais cristalino possível”, afirma o líder da expedição Enric Sala, ao Guardian. “Assim que se salta para a água e as bolhas de oxigénio desaparecem está-se rodeado de tubarões”, indica. Ao contrário de outros locais do mundo, a expedição descobriu que neste local são os tubarões que dominam o ecossistema marinho em volta das ilhas.
O tubarão-cinzento-de-recife é a espécie mais comum, seguido pelo tubarão-de-pontas-brancas-de-recife e do xaréu-preto. Quanto aos peixes não carnívoros, os peixes-unicórnios e o peixe-cirurgião-de-barra-branca são as espécies mais comuns.
Além da diversidade marinhas, as águas são extremamente límpidas e transparentes. “Não conseguíamos acreditar. A água era tão limpa que conseguíamos ver até 75 metros”, revela Sala. A limpidez da água significa que as barreiras de coral prosperaram a profundidades superiores às normais, até 100 metros, o que é um recorde mundial. No total, a equipa de exploração identificaram 80 novas espécies de peixes, corais e algas em Pitcairn.
Para preservar os ecossistemas marinhos e terrestres das ilhas, os habitantes de Pitcairn estão a dinamizar um plano para criar uma zona protegida de 830.000 quilómetros quadrados em volta das ilhas. Se forem bem-sucedidos, esta será a maior zona marinha protegida, superior àquela que o Governo dos Estados Unidos quer criar.









