O contributo do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável
Por Afonso Borga, especialista na área da Responsabilidade Social e mestre em Estudos de Desenvolvimento
Com o início de 2026 teve também início o Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável, declarado pelas Nações Unidas, com o tema “Toda a Contribuição Importa”. Ao instituir este Ano, a ONU, organização onde o Voluntariado tem uma importância histórica, nomeadamente no campo da Ajuda Humanitária, pretende destacar a importância do voluntariado como força motriz para enfrentar os desafios globais, realçando a necessidade de reconhecer e integrar o voluntariado em diversos contextos.
Em Portugal, a participação em atividades de voluntariado continua a ser reduzida, envolvendo apenas cerca de 6% da população. Este valor contrasta de forma significativa com a realidade de vários países da União Europeia, onde o envolvimento cívico através do voluntariado é muito mais expressivo. Esta disparidade evidencia a necessidade de refletir sobre os fatores que limitam a participação e sobre as oportunidades perdidas e levantam uma questão inevitável: estaremos a desperdiçar um enorme potencial de transformação social e ambiental?
O contributo do voluntariado para a sustentabilidade é inegável e manifesta-se nas suas três dimensões fundamentais: ambiental, social e económica. Desde logo, trata-se de uma ferramenta prática de intervenção, mas também de educação, sensibilização e cidadania ativa.
No domínio ambiental, o voluntariado desempenha um papel relevante ao aproximar as pessoas da proteção dos ecossistemas e da gestão sustentável dos recursos naturais. Iniciativas como a recuperação de áreas degradadas, a monitorização da biodiversidade ou a educação ambiental em contexto comunitário mostram como a ação voluntária pode contribuir para respostas locais a problemas ambientais globais.
No plano social, o voluntariado tem sido, há décadas, um pilar complementar do apoio social e humanitário. O trabalho desenvolvido junto de populações vulneráveis contribui para reduzir desigualdades, combater o isolamento e promover a inclusão.
Neste sentido, o voluntariado permite o fortalecimento das comunidades, ao criar redes de solidariedade, confiança e cooperação entre pessoas, fomentando assim a coesão social. Ao incentivar o envolvimento das pessoas e comunidades na resolução de problemas sociais e ambientais demonstra como cada um pode participar e exercer a sua cidadania ativa.
Importa ainda não esquecer a dimensão económica da sustentabilidade. O voluntariado permite otimizar recursos, reforçar projetos locais e desenvolver competências pessoais e profissionais que valorizam as comunidades e beneficiam a sociedade como um todo. Neste sentido, longe de ser um custo, o voluntariado é um investimento com retorno social.
Num contexto global marcado por desafios ambientais e sociais complexos, o voluntariado assume-se assim como uma ferramenta essencial para a construção de um desenvolvimento verdadeiramente sustentável, demonstrando que a ação coletiva e o compromisso individual podem contribuir para gerar mudanças sociais.
