Os secretos hábitos de higiene dos animais

Desde os primórdios da humanidade que a mulher desempenha um papel central na vida familiar, quer seja a cuidar do lar ou dos filhos. Porém, nos últimos tempos as tarefas começaram a ser mais partilhadas e em algumas famílias o papel inverteu-se mesmo, sendo o homem a cuidar da casa e dos filhos.

Tal como na espécie humana, existem também espécies animais onde os papéis se inverteram e quem cuida das crias e da toca ou ninho é o progenitor. De acordo com um novo estudo, publicado na revista cientifica Aninal Behaviour, sobre os hábitos sanitários dos pica-paus, em especial na espécie Colaptes auratus, vulgarmente conhecidos por cintilação do norte, é o macho desta espécie que se encarrega das tarefas domésticas.

Os investigadores sabiam já que os pica-paus desta espécie, tal como as restantes espécies de pica-paus, têm um papel sexual invertido, onde é o progenitor que passa mais tempo a incubar os ovos e a alimentar os filhos comparativamente com a progenitora. Porém, os cientistas descobriram agora que o zelo do progenitor se estende à higiene do ninho. Quando as crias defecam no ninho é ao macho que cabe a tarefa de pegar nos dejectos e depositá-los bem longe do ninho.

“Esta tarefa permite remover micróbios, cheios que possam alertar os predadores e torna o ninho muito mais limpo”, indica Elizabeth Gow, investigadora de pós-doutoramento na Universidade da Columbia Britânica e autora principal do estudo, cita o New York Times. “É um aspecto dos cuidados parentais que muitas vezes nos esquecemos”, acrescenta.

Segundo a investigadora, os pica-paus macho desta espécie são responsáveis por cerca de 60% das tarefas sanitárias do ninho, gastando cerca de uma hora por dia nestas tarefas.

A nova investigação reflecte um interesse crescente da comunidade científica nas questões sanitárias dos animais – o porquê e a forma como muitas espécies de animais se mantêm limpos e aos seus locais de habitação – e isso tem-se reflectido no número de estudos sobre a temática, que tem aumentado nos últimos tempos.

A natureza pode ser selvagem, mas isso não significa que os animais não tenham regras para reparar o lixo e evitar fontes de contaminação. Os investigadores identificaram já abelhas obreiras que se especializam em remover cadáveres de outras abelhas da colmeia, bem como câmaras subterrâneas que as toupeiras-africanas utilizam especialmente para defecar.

Entre as populações de chimpanzés, por exemplo, a higiene funciona muitas vezes como factor de evolução cultural e os primatólogos descobriram que diferentes populações deste primata são distinguidas pelos seus hábitos higiénicos.

Os chimpanzés do Parque Nacional de Tai, na Costa do Marfim, catam os parasitas dos outros chimpanzés com os dedos e matam os parasitas com os antebraços. Já os chimpanzés da Floresta do Budongo, no Uganda, preferem colocar os parasitas catados em folhas para que possam ser inspeccionados ou para simplesmente decidirem quais são seguros para comer e quais não são, ou que simplesmente vão ser esmagados.

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